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terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Pilar mi amor, anda aqui, que eu ainda agora disse uma coisa tão bonita e tu não ouviste..."

Há uns dias, num dia de cão, vasculhei a memória em busca de filmes. Fazia já muito tempo que não via um que se me agarrasse à retina por mais de 24h. Inception, ok, bom argumento, The Social Network, ok, a confirmação de que tudo o que é genial é genital. Mas um filme que se revelasse com o tempo, personagens que se colassem à minha pele,... não encontrei nas pastas recentes.

Até ontem. Com o José e com a Pilar. Que me varreram os pés, me fizeram rir até às lágrimas e me deixaram feita um trapo no chão. Por me lembrarem, quando começava a esquecer, que fomos despojados de um ser humano anormalmente lúcido e desassossegante, que por sorte do acaso até falava a nossa língua e ainda assim não se conseguiu fazer entender.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

El otro lado de la cama


Si tú no te das cuenta de lo que vale, el mundo es una tontería. Si vas dejando que se escape lo que más querías.


Echar de menos - la más bella locución del mundo. Desvela el secreto de este tipo de anhelos humanos: no se extraña a lo que se ha tenido un día, sino a lo por venir, a lo que está por echar. Aunque no lo sepa la RAE.

sábado, 13 de março de 2010

A ternura dos 80


De quando em vez, a televisão por cabo tem um acesso de sobriedade e transmite bons filmes.
Mudando de assunto, neste momento está a dar um clássico da minha juventude que moldou os sonhos de muitas adolescentes de poupa, minhas contemporâneas: o Flashdance. Além da extraordinária (leia-se ambivalentemente, se se quiser) banda sonora, a candura do filme nota-se de imediato no tom das vozes - os diálogos são quase murmúrios, parcos em palavras polissilábicas e abundantes em suspiros. Os figurinos terão sido seguramente guardados em dois cabides, um para os macacões e blusões de cabedal, outro para os bodies em fio dental e acessórios de uniforme policial com brilhantes. O hair design também não é complexo: os homens usam-no relativamente curto, ondulado e brilhante, as boas da fita usam-no volumosamente frisado com repas lisas e as más da fita liso e pingado. Creio veementemente que o grosso do orçamento terá ido para o gelo seco.
Mas a verdadeira candura do filme está noutra dimensão. Falamos de um argumento que pressupõe que uma mulher de vinte e poucos pode aceder em igualdade de oportunidades a um emprego tipicamente masculino, na indústria metalo-mecânica, e ainda acumular outro à noite, por amor à arte. Falamos de um argumento em que um patrão divorciado paga uma lagosta à funcionária por quem desinteressadamente se apaixonou. E falamos ainda de um argumento em que cinco piruetas seguidas, com uma recepção perfeita em quarta posição, executadas por uma stripper sem formação clássica não conseguem impressionar o júri bafiento de uma reputada Academia de Dança. Já uns pulinhos a ritmo acelerado acompanhados de um indicador apontado à vez à cara dos mestres logram o entusiasmo geral e a admissão na escola.
Deliciosamente cândidos, os anos 80. Que saudades!