Mostrando postagens com marcador linguística. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador linguística. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Os Fundamentalistas

Não é invulgar ver-me seguida por uma multidão que roga para que a ilumine.

Ok, uma amiga uma vez apanhou-me a jeito e pediu-me um esclarecimento.

Na sociedade de advogados em que trabalha, corrigiram-lhe o uso do adjectivo "imenso". Explicaram-lhe com elevada sapiência que não deveria dizer "imensas coisas" porque "imenso" remete para a ideia de vastidão, de comprimento até, e não para a de número.

Anuí em bafejá-la com a minha sabedoria e esclareci que sim, que os senhores advogados estavam, como habitualmente, cobertos de razão e recheados de exactidão, qual éclair da Leitaria. Desde que, claro, banissem do seu discurso todo o tipo de expressões como "tenho processos disciplinares que nunca mais acabam", "conto com largas horas de espera no tribunal" ou "o estagiário diz um mar de asneiradas sempre que abre a boca". Não há-de ser difícil e valerá com toda a certeza o esforço.

sábado, 3 de julho de 2010

O que vem depois

do "prazer de ter um livro para ler e (...) o fazer"?
A satisfação? O alívio? A sensação de missão cumprida?

Nã. Uma grandessíssima dor de cabeça.

Pelo menos se substituirmos "um livro" por "quatro livros" de fin du siècle espanhol e "ler" por "ler, dissecar, contextualizar nexos histórico-sociais, catalogar sub-género e analisar especificidades morfossintácticas". Em 20h.

Agora queria ver o Pessoa a fazer poesia com isto. Ó Fernando, assim também eu!

domingo, 27 de junho de 2010

Ui,

acabei de me aperceber que terei que mudar o meu cabeçalho para "à beira-CCUT plantado".

C'um caraças, perder uns euros ainda vá... Mas aquele ataque silábico ramificado dava-me cá um jeitaço!

Chatice, pá.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

El otro lado de la cama


Si tú no te das cuenta de lo que vale, el mundo es una tontería. Si vas dejando que se escape lo que más querías.


Echar de menos - la más bella locución del mundo. Desvela el secreto de este tipo de anhelos humanos: no se extraña a lo que se ha tenido un día, sino a lo por venir, a lo que está por echar. Aunque no lo sepa la RAE.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lard Factor


Já não punha os dedos neste apartamento há uma generosa temporada.

Vejo agora claramente que se o Sr. Lanham me visitasse, só aproveitaria os títulos. Shame on me.

sábado, 20 de março de 2010

"Há palavras que nos beijam"


... e outras que nos chateiam imenso. Pelo menos a mim.
Há cerca de um mês convidaram-me para fazer Geocaching. Leiga, explicaram-me que incluía caminhada, exploração de grutas, orientação por GPS e que o objectivo final era encontrar uma caixa com coisas dentro.
Confesso que a actividade me seduziu... Não tanto pela caminhada, que prefiro fazer sozinha e sem orientação, não tanto pelas grutas, que devem ter aranhas, nem sequer pela caixa - tenho montes e tento livrar-me delas todos os dias. O que verdadeiramente me intrigou na actividade foi... o nome. Geo eu entendo, mas Caching... Uma má tradução de Caixa? Um misspelling de Cashing, caso a caixa tenha dinheiro? Irra, que insondável mistério linguístico.
Hoje despertei às 9h46 com uma revelação a latejar na cabeça: cacher, Francês para "esconder". Ufa, já posso dormir descansada.
Obrigada ao O'Neill pela contribuição pro bono.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Coerência e coesão

Há uma coisa que me cria certa espécie - além desta expressão coloquial. Já não bastava o difícil do porquê, quando me deparo com a incógnita do para quem escrever um blog.
Quando, na loucura dos 8 anos, mantive durante uns bons três meses um diário, sabia perfeitamente qual o perfil dos meus leitores: uma criança rechonchuda com queda para penteados volumosos e uma austera adulta nada bisbilhoteira mas muito zelosa da integridade moral das suas crias (não, ela garante que não é mesmo...). Mas agora o caso é outro: apesar de "isto" não ter um cadeado facilmente violável em forma de coração, não é de todo líquido que algum dia chegue a ter um leitor - isto porque umA estimada leitorA já tem.
Ergo: escrevo para mim, para ela ou para os que virão? E quem serão eles? Poderei registar para a posteridade os meus mais íntimos segredos e estonteantes aventuras ou censurar-me-ei pidescamente, temente a um potencial sério e crítico leitor com lícitas expectativas de encontrar uma astuta crónica de costumes com um toque de perspicácia política de tendência esquerdista?
Espera. Não me lembro de um único íntimo segredo nem de uma sequer curta aventura estonteante.
Problem solved.