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sábado, 10 de julho de 2010

E se um desconhecido lhe oferecesse flores?


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Nos anos 80, seria obviamente Impulse.

Mas e hoje? Onde acaba a coragem do impulso e a excentricidade do momento para dar lugar à evidência do desespero?

Sonhamos com as coincidências cósmicas que fazem saltar príncipes e princesas dos arbustos para aterrarem nos nossos colos, almejamos momentos mágicos em que sacam das cartolas o Inesperado, suspiramos a cada "boy meets girl" no grande ecrã desde que não meta a Meg Ryan. Mas vai-se a ver... torcemos o nariz com cepticismo e desconfiança de cada vez que alguma coisa remotamente semelhante acontece de facto.

Que de errado se passa connosco?

sábado, 3 de julho de 2010

Us Listening to Her


Cruzaram-se numa passagem estreita, quase não deu para ignorar. Ela continuou a andar mas abrandou o passo e espreitou por cima do ombro. Lá estava ele, tal e qual como ela se lembrava. Em segundos, fez as contas ao embaraço possível, à frustração provável do reencontro... e parou. Girou sobre os calcanhares e tocou-lhe ao de leve. Macio como sempre, morno àquela hora da tarde.

Abriu-se. Há quanto tempo já não se encontravam, porquê esta parvoíce de adiar sempre para "um dia destes"? Ah, assim é que são bons os encontros, a surpresa, assim sem contar. Sim, claro, parece que era mesmo para acontecer. Respirou fundo.


Na cozinha, estremecemos ao ouvir aquele inconfundível ranger. Não podia ser, não pensáramos que voltasse a acontecer.

Mas aconteceu. E a casa encheu-se de Lizst.

* Degas, "Manet Listening to His Wife Play the Piano"

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O homem não vai nu...


O homem vai ao mais visceral do seu cerne, desenterra aparições, recria cheiros, descarna dores, desfolha fragilidades, sopra no didgeridoo da fraternidade, alardeia vitórias, levanta troféus, exibe-se esgotado no cimo da montanha, assume-se ensopado dentro do descapotável, avoca destemido a carnalidade, planifica-se qual poliedro em palavras.

A mulher... quer saber se e ao certo quantos quilos o Pipoco engordou.

E ainda nos chamam complexas.





quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ich spreche, also bin ich.

Es gibt so viele Dinge die ich nicht mehr mache, dass manchmal weiss ich nicht ob ich die noch machen kann.
Es sieht aus, als ob ich noch auf Deutsch schreiben kann. Gut. Ich freue mich darauf.

domingo, 21 de março de 2010

O sonho americano

Não sou fã de Coca-Cola, nunca quis uma casa nos subúrbios nem uma minivan.
Porém, sem o saber, queria um "date" à americana: descomplicado, com um itinerário pré-definido, sem mis-en-scène nem aspirações a de profundis.
Et voilà, excedeu todas as expectativas que eu não tinha. Afinal, dos States também vêm coisas boas.
...Ou será mérito (do) português?

sábado, 20 de março de 2010

Equações de grau zero

E quando pensávamos que dominávamos o algoritmo da humanidade... aparece alguém friamente indecifrável. Raios, detesto não entender. Até porque me obriga a uma expressão facial que faz muita ruga. Gotta work on this.

domingo, 7 de março de 2010

Abomináveis Domingos de Março

Os domingos são dias abomináveis. Termina a ilusão fugaz de liberdade do fim de semana e escorre sobre mim a pegajosa sombra de mais uma semana de trabalho.
Não me interpretem mal, eu gosto muito de trabalhar e até passo a maioria das horas de luz do fim de semana a fazê-lo. Simplesmente com o domingo vem a certeza de que mais um ciclo começa - e isso custa-me de sobremaneira.
"Detesto a rotina", "Não posso com a monotonia", "Parar é morrer"... Nada disso. Há rotinas quentes e boas, que nos mantêm sãos. O meu problema visceral com o domingo é... medo. Medo de uma semana sem surpresas, medo de cinco dias sem pulos nem acrescentos.
Contudo, este Domingo foi um bocadinho melhor do que o anterior (os anteriores a esse já os esqueci): encontrei um velho amigo que me perguntou quem eu era. Não é que não me tivesse reconhecido, mas aparentemente nunca me tinha entendido na plenitude, fazia-lhe falta saber quem eu verdadeiramente era. Quem eu verdadeiramente sou - aqui está uma pergunta inesperada para um domingo à noite. Munida de alguma boa vontade mas não sem certa dose de desconfiança, respondi com um relato na terceira pessoa que envolvia 29 anos, tacões altos, livros, lemas de "travel light", apartamentos T1, acuidade profissional e o adjectivo "empertigada". Inteligentemente perguntou-me se me era mais fácil falar de mim própria na terceira pessoa. Claro que sim, não gosto de mentir na primeira.