quinta-feira, 7 de julho de 2011

Acabou.

E enquanto as mulheres procuram respostas, os homens chutam perguntas. A torto, a direito, à esquerda, atrás. Todos os caminhos seguem em frente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Encetar, enxertar.

Voltar a um sítio que já foi habitual produz uma sensação de confusão e estranheza ante a pessoa que fomos e entretanto deixámos de ser. Eu às vezes olho para o espelho, só quando não há barulho nem pessoas, e vejo-me como se fosse a primeira vez, uma estranha, e desvio os olhos e evito o contacto embaraçoso com aquele ser. Gostava de saber que não sou a única porque isto me faz obviamente duvidar do meu equilíbrio anímico, já para não dizer saúde mental. Adiante, os lugares habituais.

Pelo contrário, em raras ocasiões temos o privilégio de tomar consciência do momento em que instauramos um hábito. Se assim fosse, memorizaríamos a porta em que dorme o sem-abrigo para nos lembrarmos de entrar pela outra, atentaríamos na laje solta do corredor para evitar tropeçar da próxima, sorriríamos desde logo ao senhor da bilheteira porque queremos doravante ser bem tratados, procuraríamos o cartaz dos gelados porque se é Camy não interessa e compro o meu corneto de nata lá fora, veríamos se há máquina de tabaco para não praguejar na vez seguinte, perceberíamos qual é o ponto com mais luz para ler e leríamos de facto o preçário do parque de estacionamento. Mas não. Os lugares habituais raramente se adivinham. Quando tomamos consciência de um hábito, já ele se instalou em nós de jornal e pantufas, e olha-nos por cima dos óculos, a sorrir sacanamente.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

também é bonito de ouvir sem som

tem asiáticas e homens amarrados em camas.

(isto estava a começar a abichanar mas reparei a tempo)

O que arde cura,

o que aperta segura, o que dói apaixona.

sábado, 2 de julho de 2011

mal passado

Atravessava a avenida com passos rápidos e olhos no chão, em sandálias vermelhas. De paralelo em paralelo, disparavam imagens de outra noite em que atravessava a mesma avenida em sapatos diferentes. Em mãos diferentes.

O desafio do presente, para quem já leva uns anos nos ombros e nas pálpebras e nas coxas é esse mesmo, o de dosear o passado. Injectá-lo em doses certas é sensato e produtivo, enquanto que ignorá-lo ou mesmo recalcá-lo é desintegrador e resulta na maior parte dos casos em cenários desastrosos, como quem não adivinha um crash pelo preço da tulipa.

As relações aos trintas sofrem inevitavelmente da falta de novidade. É a vida. Ela já aconteceu, e várias vezes. Apaixonar-se por alguém e sentir-se amado depende em pesadíssima parte da mestria da arte do faz de conta. Faz de conta que nunca aconteceu, faz de conta que é novo e que pode levar a qualquer lado inusitado, mesmo quando já sabemos de cor as coordenadas do destino. É de fulcral importância acreditar nisto ao ponto de fazer o outro acreditar também e de assim se sentirem ambos únicos. Sentir-se único a dois é vital e é muito frágil. Simultaneamente, é imperativo contornar a tentação da omissão - quando é que é lícito não dizer que já estive aí e já fiz isso? - e, sobre todas as coisas, fugir desesperadamente da pouca inteligência da mentira, da estranhíssima vergonha de assumir o que somos com o que fomos, incluídos os seus ciclos e falhas e aparatosos embaraços repetidos.

Fazer de conta para ser a sério. Quem diria.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As pessoas que escrevem bem incomodam-me

Vinha muito contentinha escrever uma coisa sobre bolachas de água e sal quando, inevitavelmente, leio umas coisas bonitas, coisas humanas, escritas de forma bonita e com letras. Despretensiosamente. Estes acontecimentos dão-me vontade de ouvir Elvis, tiram-me o apetite e envergonham-me do que ainda não escrevi sobre as bolachas de água e sal.

Portanto agradecia a essas pessoas que por favor não escrevessem mais nada de jeito e que descurassem a técnica. Se querem insistir em comportar-se assim, que vão fazê-lo para locais próprios.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"Problemas do fórum

emocional", disse ele.

Eu sei que vocês me acham má pessoa e pensam que seguramente terei ouvido mal, até porque além de besta também sou um bocado surda do lado esquerdo, por isso pedi-lhe...

..."Não te importas de deixar isso em acta?"

E ele deixou.

Palminhas.

Sinto-me tão sexy

com este cheiro a sardinha assada e farturas.

E para os que vão a guiar, aqui fica uma musiquinha muito bonita. Também é sexy. Cautela.

domingo, 26 de junho de 2011

Good things come to those who wait,

disse ela.

Por isso é que eu chego sempre atrasada. Ninguém me entende, hmmpf.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Época balnear

Maminhas e rabinhos. Cabelinhos despenteados. Risinhos e cremes. Espalha espalha.

Gajos, nem vê-los.



Não se podem levantar da toalha.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

mentirinhas bonitas

terça-feira, 21 de junho de 2011

Piurso

Quando era pequena pensava que esta palavra - piurso - era uma amálgama da expressão "pior que um urso".

Agora que sou grande e investigo palavras, estou no caminho para ter 98% de certeza.

Em conclusão, não sei para que serviu tanta escola.