sábado, 29 de outubro de 2011

Tinha bebido um bocadinho.


De várias coisas.

Conduzia devagar. As frases interrompidas da mulher cosiam-se-me umas às outras no eco da cabeça. Continuo a achar querido que se contem meses após décadas de vida. “Um ano e dois meses”, dizia ela com precisão. Não costumo falar-lhe de mim, mas tinha sono e vinho. Contei-lhe dos anos sem contar os meses. Girou e abriu devagar os olhos naquela cara de pinypon, como se repente fôssemos três dentro do carro.

Conduzia devagar. As frases interrompidas da mulher cosiam-se-me umas às outras no eco da cabeça. Tinha acontecido o inevitável, guiava com a sensação de ser duas pessoas. Um fardo pesado, as pálpebras pesadas em olhos despertos.

Conduzia devagar. As frases interrompidas da mulher cosiam-se às where troubles melt like lemon drops high above the chimney tops e eu pensava que um homem que acredita no que canta assim ou é um louco leviano ou teve um dia uma epifania, a visão de uma coisa maior que esmaga as pequenas que nos esmagam a nós. Enquanto conduzia, quem sabe. Devagar.

5 comentários:

Anônimo disse...

:)

Calíope disse...

As epifanias propiciam esmagamentos com efeito bola de neve?
É que eu gosto de epifanias...

o anão gigante disse...

Sim.

Sim, mas ...

Yeah, fuck yeah!

Wiwia disse...

Anônimo,
Não sei quem é você, cara.

Calíope,
Epifania não é sinónimo de avalanche? Homessa.

Anão,
"And there was much rejoicing".

Calíope disse...

Hmm... não no meu dicionário :) mas concordo contigo que pode propiciar uma!