quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Catarse

Este ano novo vai marcar a ferros os outros todos que aí vêm. Olhe, Dona Fátima... que sa foda.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

toda a gente swinga

"Ele nunca aparece, há-de gostar muito dela, há-de... Bem que posso mandar o barro à parede, não perco nada."

"Se tiras esse tipo de férias abres um precedente e eu passo a tirar também esse tipo de férias e tu não vais gostar. Férias para mim são contigo. Não entendo, desculpa, não consigo entender."

"Mas isto agora é assim, o indivíduo funde-se e o casal nasce? Porra, era um jogo da bola, ela tinha mesmo que vir?"

"Se queres ficar em casa, fica. Mas ouve bem o que te digo: em breve não vamos ter histórias para contar."

"Eles? Ah não, eles têm uma relação super saudável. Ela anda sozinha para todo o lado."

"Eu poder posso, mas ele não pode, então eu fico também para ele não ficar triste, percebes?"

Season Greetings

Há duas razões pelas quais vale a pena conhecer pessoas: música e receitas rápidas. Coisas que ficam.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

só gosto de ti

Há um par de semanas fui ao karaoke. Já não ia ao karaoke há muitos, muitos anos. A última vez tinha sido em Xangai, numa daquelas salinhas privadas num edifício enorme só para salinhas de karaoke, e tinha incluído champanhe e fruta tropical a pingar de fresca servida em bandejas por chinesinhas e havia pipocas por todo o lado e as poucas músicas em estrangeiro eram legendadas em mandarim. Difícil de bater. Neste karaoke de há duas semanas havia homens de blusão de ganga, uma gigante bola de fumo empurrada de um exaustor para o outro, empregadas de bar grávidas de 8 meses, três Marlenes e uma Liliana. Também difícil de bater. E ali no meio daquilo tudo, os Heróis do Mar, a lembrar às mulheres que só se gosta de um homem de cada vez e que isso, ainda que primitivo, é um fardo bonito de se carregar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

timesaver

A parte boa dos homens mais velhos, mesmo que pouco ensinem, é que sabem sempre do que estamos a falar.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Histórias de amor sem fim

Sempre houve alguma coisa que me seduziu de sobremaneira nas histórias sem fim. Lost in Translation, In the Mood for Love, Passage to India... histórias que acabam antes de começar, histórias que se dissipam antes de acabar, histórias que se esbarram violentamente em silêncio contra alguma coisa que não se vê. Ficam os chinelos dela para sempre debaixo da cama, fica uma fotografia de costas, fica a agonia daquele segundo maior que uma hora em que ele podia ter voltado e não voltou.
São histórias difíceis de contar, histórias repletas do embaraço de quem narra uma história que não entende. As únicas histórias possíveis.

In the Mood for Love

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Afinal há baile.

E é já daqui a 15 dias, no opulento e bafiento-como-se-quer Ateneu Comercial do Porto.

Obrigada, sempre-atento-e-nada-bafiento Sr. Indieotta.

domingo, 27 de novembro de 2011

girls like them



domingo, 20 de novembro de 2011

Oh.


Não percebo porque* já não se fazem bailes. Um salão, um palco, uma guitarra, uma bateria, um baixo, umas taças de ponche, uma fita no cabelo, uma saia rodada. Eu ia.



*revisão ortográfica de Anão Não Tão Gigante

Aproveitei e mudei a musiqueta: os mesmos Zombies, noutras bocas. Ouvi esta semana e pareceu-me ferpeita para um Bal Nouveau.

sábado, 19 de novembro de 2011

Much ado about nothing

Andei a manhã toda de lábio descaído e tremelicante, a inspirar o ar decadente de rabanadas que vinha de casas da vizinhança. Dei por mim a reviver com demasiada nitidez o despertar mais cedo que o costume na véspera de Natal, entusiasmada pela chegada dos miúdos de Lisboa - de tão longe vinham, como sabiam de cor o caminho? - e sobretudo compelida pelo aroma da canela e do limão e do mel a ferver preguiçosamente no tacho da calda. Era um dia enorme, bagucento, o segundo melhor do ano, e tudo corria como se esperava, com as mulheres e os maridos, naturalmente os miúdos, que éramos nós, naturalmente como já nada é hoje aqui nesta casa, que fica por cima das casas que cheiram a rabanadas quando é suposto, como é natural.

Saí à rua. Uma carrinha de farturas estacionada à porta.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E rápido.

...
i wish i was the brakeman
on a hurtlin fevered train
crashin head long into the heartland
like a cannon in the rain
with the feelin of the sleepers
and the burnin of the coal
countin the towns flashin by
and a night that's full of soul

...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Demência precoce

Entrou com ribombante estrondo e disse um olá esbaforido à mesa. O sobretudo grosso agarrou-se à toalha aos quadrados, que foi arrastada até à cadeira ao lado da minha, enquanto várias mãos apanhavam os copos que tombavam um atrás do outro. Sentou-se e olhou-me nos olhos gravemente enquanto descartava o capuz molhado da chuva. "Ouve com atenção, não tenho muito tempo e o motorista está lá fora à espera", sussurrou. Meteu a mão ao bolso para tirar um moleskine minúsculo marcado numa página. "Vês, está aqui o teu nome. Restless souls. Vai ser um documentário. Já tenho muito material e queria filmar-te a ti aqui no Porto. Somos tantos, W., tantos. Tu percebes, não percebes? Era importante para mim." Os meus olhos mexiam da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, acho que acenei que sim. Ela pousou a mão na minha, apertou-a e disse "Obrigada. Agora tenho que ir. Divirtam-se e desculpem não poder ficar."

Saiu antes de eu fechar a boca.

Pousei a cabeça no ombro do meu homem e nessa altura, éramos novos, rimo-nos todos em uníssono.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O truque

é casar antes da primeira discussão. Abdicar de tudo em que se acreditava antes também ajuda mas não é propriamente obrigatório, o importante é marcar muito rapidamente o sítio e, caso já esteja tudo esgotado, fazer a coisa na praia e convencer-se de que sempre foi o seu sonho. Ainda que seja em Janeiro.

Não sei se já referi, mas é necessário que seja rápido. É que assim também dá uma impressão de impulso romântico avassalador e ganha-se o epíteto de "ganda maluco/a".

Depois é uma questão de se ser rápido a conceber a criança. Pela altura em que os ténis do futebol em cima do tapete e o ranger dos dentes dela noite dentro começarem a chatear a sério, já não há nada a fazer.

Chop-chop.

sábado, 12 de novembro de 2011

hold your lover down and tie her to the ground

É um conselho e é bonito, não é malcriadice.





quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A chuva no Porto

bate nos paralelos, trepa até aos ossos e faz assim.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Every sperm is sacred.

Eles brotam dos arbustos, estes Carreiras.

sábado, 29 de outubro de 2011

Tinha bebido um bocadinho.


De várias coisas.

Conduzia devagar. As frases interrompidas da mulher cosiam-se-me umas às outras no eco da cabeça. Continuo a achar querido que se contem meses após décadas de vida. “Um ano e dois meses”, dizia ela com precisão. Não costumo falar-lhe de mim, mas tinha sono e vinho. Contei-lhe dos anos sem contar os meses. Girou e abriu devagar os olhos naquela cara de pinypon, como se repente fôssemos três dentro do carro.

Conduzia devagar. As frases interrompidas da mulher cosiam-se-me umas às outras no eco da cabeça. Tinha acontecido o inevitável, guiava com a sensação de ser duas pessoas. Um fardo pesado, as pálpebras pesadas em olhos despertos.

Conduzia devagar. As frases interrompidas da mulher cosiam-se às where troubles melt like lemon drops high above the chimney tops e eu pensava que um homem que acredita no que canta assim ou é um louco leviano ou teve um dia uma epifania, a visão de uma coisa maior que esmaga as pequenas que nos esmagam a nós. Enquanto conduzia, quem sabe. Devagar.

domingo, 23 de outubro de 2011

Fui ver,

era um medronho.

Rio Homem, último dia de verão (22/10/11).


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Como evitar que o amor te faça agir como um parvo

é o paradoxo, em tradução livre, que serve de título a este artigo da Forbes.

Podem ler, mas eu resumo: primeiro, é tão simples como comeres uma maçã quando te apetece batatas fritas; segundo, é importante haver negrito em revistas de ricos.

Não consigo parar de imaginar se alguém já se terá de facto sentado a fazer listas de coisas estúpidas que lhe apetecerá fazer e respectivas coisas sensatas de substituição, como plano de acção futura.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tradução para estrangeiro do discurso de Alberto João aos madeirenses

(...)
"- I'm not denying,  we're flying above it all.  Hold my hand, don't let me fall. You've such amazing grace, I've never felt this way... Show me heaven. Cover me! Leave me breathless, show me heaven please."



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

À sombra na relva.

- E como era, pai?
- Era... frio, filhota.
- E como era o fio?
- Frio.
- Fe-ri-o.
- Frio era assim uma coisa no vento que fazia a pele ficar dura. Uma pessoa encolhia-se e abraçava-se mas parecia que estava sempre a lutar contra o ar.
- Era mau?
- Não... Não era... propriamente mau.
- Porquê?
- Porque... Olha, porque era bom quando chegávamos a casa. Havia mantas no sofá e emb...
- O que eram mantas?
- Pois, cachopa... Mantas... Mantas eram como uns lençóis, mas mais grossas e muito quentinhas.
- Para quê?
- Para nos embrulharmos nelas e não termos tanto frio. Eram uma delícia quando nos sentávamos no sofá.
- Comias mantas?
- Não, tonta. Delícia é uma forma de dizer que eram muito fofinhas e confortáveis.
- Os meus ténis são uma delícia?
- Podem ser. Os teus ténis podem ser uma delícia.
- E vinha assim quando lhe apetecia?
- O quê?
- O Niverno.
- O Inverno.
- O In-ver-no.
- Isso. Não, não vinha quando lhe apetecia. Aparecia pé-ante-pé, em Setembro, e primeiro chamava-se Outono. Depois crescia, crescia, crescia... e em Dezembro já era um Inverno a sério, com o frio e o vento e as mantas.
- E um dia não veio mais?
- É verdade. Um ano não veio, e depois nunca mais.
- E que ano era?
- Era o ano de 2011.
- Isso foi antes de eu, pai?
- De mim.
- De ti?
- Não... Não foi antes de mim, mas foi antes de ti. Há muitos anos para ti, há poucos para mim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

canídeos por todo o lado

Ando com muita vontade de voltar a ter um cão. Mas não quero o trabalho de manter um cão nem a responsabilidade nem o compromisso nem as cedências que exige. Mas de resto adorava ter uma bola de pêlo por perto.

E parem de pensar que estou a falar de homens em código.

domingo, 2 de outubro de 2011

data de validade

E se um dia ela olhasse para as calças dele, penduradas atrás da porta na casa de banho do meio? Ele vai sempre à casa de banho do meio, nunca usa as outras, e as calças são cada vez mais curtas. A barriga empurra-lhe o cinto para baixo, ela sobe-lhe as bainhas. E se ela agarrasse as calças dele pelo joelho e as encostasse à bochecha, para cima e para baixo, e sentisse o poliéster e o algodão a queimar-lhe um bocadinho a pele? E se cheirasse o tecido das calças dele e o cheiro dele fosse igual ao cheiro da casa de banho, ao cheiro da casa, ao cheiro dela? E se tudo é o mesmo e ela já não sente o cheiro dele é porque ele desapareceu nela e há um homem nos corredores daquela casa.

sábado, 1 de outubro de 2011

happy-sad

A minha coisa favorita de todos os tempos.

Sou miúda de clássicos.

E de negrões, não sei se já tinha dito.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rascunho

Tinha isto para aqui em rascunho mas não publicava porque achava que era música de gaja. Porém, ontem vi dois sujeitos, um à frente e outro atrás, a entusiasmarem-se com a musiquinha e afinal amanheceu em mim que não é só música de gaja, pode agradar a vários públicos. E não estamos aqui para outra coisa, sirvam-se à vontade.

Rich-and-Amy

Hi hi hi.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Causa de morte

- Mentir é coisa feia. Faz-nos lamentar termos nascido. E não termos nascido é uma maldição. Ficamos condenados a viver fora do tempo. (...)
- Compreendo.
- Não se pode desfazer uma mentira. E nem a própria verdade é suficiente.

Auster, Paul. A Trilogia de Nova Iorque.

domingo, 25 de setembro de 2011

Interessa apenas ao menino Jesus, mas estou em crer que ele lê blogues de miúdas.

A maior parte, maior mesmo, das músicas que me fazem parar de olhos muito abertos e me dão irritação na garganta, que vai até lá acima como o gás da água Castelo, têm letras com as quais não me identifico nem sequer remotamente. Não tenho referências passadas nem ambições futuras que se assemelhem às histórias que cantam.

As coisas definem-se por aquilo que não são, cada vez melhor vejo. A plasticidade do que são é tão mais matreira.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quatro negrões e um referendo

É melhor:
A) querer e não poder ter,
B) ter a paz de não querer
ou
C) ter e não querer?


Cautela. Se não gostar dos resultados digo que era gonorreia.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Eu conheço os meus direitos

para hoje:

- 3 minutos de lamechice
- mil e tal euros em cash
- uma cerveja a ver o sol pôr-se acima da linha do Equador
- um galo de Barcelos oferecido
- 20 minutos de lamúrias várias sobre "o sistema" (Dona Dulce para os amigos)
- não corrigir exames
- comer 4 quadrados de chocolate preto (...check...)
- não usar collants *bleurk* transparentes *bleurk*
- ouvir músicas bonitas de pretinhos e esconder a cara nas mãos
- não conseguir escrever uma linha que interesse e estar bem com isso.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

uma asneira à escolha

E depois há o dia, não importa quão altos os saltos ou cauta a cabeça, em que nos caem os joelhos ao chão e desce de longe a memória do peso da mochila sobre o kispo pequenino, naquele portão onde o pai disse que nos vinha buscar e afinal esqueceu-se.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

them girls they do get wearied

damn that hard?
all you got to do is know how to love her
you've got to
hold her
squeeze her
never leave her
now get to her


O negrão é que sabe.



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Job hunt #1

Coreógrafa... podia ser coreógrafa.
Não parece assim toneladas de difícil.

Dividir por 1

não é uma conta fácil, não senhor.

domingo, 11 de setembro de 2011

Sandes de presunto grátis



não há, mas há um "quiz" sobre uma musiqueta bonita.

Diriam que nesta musiqueta...

(...) If I give my heart to you
I must be sure
From the very start
That you would love me more than her

If I trust in you, oh please
Don't run and hide
If I love you too, oh please
Don't hurt my pride like her (...)
 

...há:

A) um homem que pede a uma mulher que o ame mais do que a ex (dele) o amou;
B) uma mulher que pede a um homem que a ame mais do que (ele) amou a ex;
C) um urso que não percebe estrangeiro;
D) ambas as opções B) e C) estão correctas.

Obrigada desde já pela vossa simpática colaboração.



Estes gajos são os maiores, foda-se.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O dia em que um beijo é mais um.

Chega, irremediavelmente talvez, o dia em que o beijo entre dois é mais um. Um beijo automático ao sair do carro, um beijo distraído entre este e aquele artigo de jornal, um beijo depois de uma piada fraca, a ver se passa, um beijo porque não há nada a dizer. Não se dá o beijo, o beijo acontece sem que já ninguém dê por ele.

E esse dia é triste. Subrepticiamente letal. Como a história, blá blá, das estrelas que explodem ou implodem e as pessoas cá em baixo pensam que não porque ainda lhes vêem a forma. Não há que enganar, beijo sem tesão pede luto porque já não é beijo, é uma cotovelada sem querer mas com outra parte do corpo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Correio

Lembro-me das cartas do António Lobo Antunes à mulher e penso se lhe cruzaria o espírito, enquanto rasgava avidamente os aerogramas, que havia de guardá-las em modos, pois que um dia viria um senhor levantá-las e fazê-las livro. Ou se apenas lia, enternecida, e respondia, ternamente, com os conselhos que uma mulher gosta de dar.

sábado, 3 de setembro de 2011

A festa da Gigi

A festa da Gigi, esse marco incontornável da noite portuense, é hoje. Eu não vou à festa da Gigi hoje. A última vez que fui à festa da Gigi diverti-me tanto, mas tanto, que agora tenho medo de lá voltar e estragar tudo. Não foi assim há tanto tempo, mas foi há tempo suficiente para serem "outros tempos". Portanto, se fosse à festa da Gigi e me divertisse menos, sairia a achar que estes tempos não são tão bons como noutros tempos, o que não é necessariamente verdade. Reformulando, é necessariamente mentira. Porque as coisas como o são hoje são-no porque coisas de outros tempos não eram boas e eu fui-me desviando delas até chegar aqui, a esta noite em que vejo com lucidez que os tempos são necessariamente cada vez melhores.

Pensando melhor, sou capaz de ir à Gigi. Sinto-me lúcida e isso é necessariamente aborrecido.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

férias a dois vezes trinta

Ele - E gostaste, dentro da trapalhada toda?
Eu - Adorei. Mas isso é um bocado cliché, parece-me. E tu, por onde andaste?
Ele - Adivinha lá.
Eu - A sério? O mesmo sítio? Não tens emenda, animal de hábitos. Levaste a PSS?
Ele - Pois. Levei.
Eu - Pois? Que foi, correu mal?
Ele - Não... Correu bem.
Eu - Hum. Incomoda-te ir todos os agostos para o mesmo sítio com uma mulher diferente, é?
Ele - Que disparate, claro que não.
Eu - Está bem então. Isto não está nada mau, passa aí o jarro.
Ele - Incomoda.
Eu - Ãh?
Ele - Incomoda-me ir todos os agostos para o mesmo sítio com uma mulher diferente. Começa a incomodar-me.
Eu - Bem me parecia. Parece que vais ter que mudar de sítio.
Ele - Parece que sim.

Dar a prenda ideal

não é encontrar aquilo que o outro quer ou sequer precisa. É perceber aquilo que nunca será capaz de dar a si próprio.

Cheguei de Nova Iorque. Não tenho sono e não tenho televisão há um mês. No cimo de uma estante encontrei uma caixa de DVDs pirateados, coisa boa, ordenados alfabeticamente. Eu nunca seria capaz.

sábado, 27 de agosto de 2011

A solidariedade americana em momentos de aperto

não existe. No meio do furacão, é cada mulher por si e cada garrafa de água a 4$.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Os Estados Unidos da América



img

Os Estados Unidos da América são um país muito, muito grande que tem dois oceanos, um dum lado e outro do outro, e também tem carros e rios.
Nos Estados Unidos da América há senhoras gordas e senhoras magrinhas de biquini que andam de patins, foi o que o meu pai disse. A minha mãe disse que era melhor o meu pai calar-se se queria ver alguma acção nos Estados Unidos da América. Parece-me que os meus pais querem ir lá ao cinema.
Eu quero muito ir aos Estados Unidos da América ver os montes e as luzinhas. Já fui uma vez a um piquenique no Monte da Virgem que tem luzinhas da RTP e gostei bastante porque havia panados e omelete e como eu não gosto de omelete pode pude comer dois panados.
A comida nos Estados Unidos da América é estrangeira mas é boa, não é como em São Tarém. Eu não gostei muito de São Tarém mas não disse.
Vai ser muito bonita a viagem aos Estados Unidos da América.
Gudebai!!

Wiwia

sábado, 20 de agosto de 2011

O Papa tem um blind date

Se eu bem entendi, o Papa convidou uma recordista espanhola com agorafobia para sair. Ela aceitou, só por ser ele, mas avisou que ia de olhos fechados.


Nem 100 anos me chegavam para entender estas relações modernas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Tenho uma casa na padaria

"Acho que não chego para ti."
"O quê?"
"Acho que não chego para ti, que não sou suficientemente bom para ti, que conseguias arranjar bem melhor que eu."
"Que disparate, tontinho. Eu adoro-te como tu és. Dá cá beijoca. Vais comer esse rissol?"


O tontinho tem razão.
Ele vai ler mais livros, praticar mais desporto, querer ir ao teatro e conversar, embaraçado, com as pessoas interessantes que ela conhece.
Ela vai ver mais Anatomia de Grey, comer batatas fritas, deixar de ler o jornal e sentar-se no brilhantismo medíocre porque ele gosta tanto dela assim.
Ele vai crescer, ela vai parecer mais pequena.

Temer é preciso. Quando não, um mais um concorrem para o mesmo fim, um farto saco vazio daquilo que foram,

li na Maria.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A apanha do tomate

Hum... cheira-me, pelo que vejo dentro e fora da blogosfera - sim, obrigo-me a sair de casa uma vez por semana - que anda por aí um generoso monte de expatriados jovens - trintões, vá -, bem formados e empregados, a reunir coragem para voltar a Portugal. E sim, parece que já ultrapassaram a fase de ganhar tom..., coragem para assumir que querem voltar a Portugal. Não é fácil assumir decisões viscerais perante os outros, eu sei. Parabéns sinceros.

Resta ver do efeito na nação. Eu acho que tem tudo para ser bom. Não sei lá de índices de produtividade e consumo e o camandro, mas mais umas carinhas larocas em cabeças arejadas são sempre bem vindas. Vinde a nós, vinde.

domingo, 14 de agosto de 2011

Metade de nós é ausência

De férias, com sorte, perde-se a noção dos dias. Numas férias a valer esquece-se de como é quando se trabalha. De repente ali estamos, a falar de barriga cheia sobre papos para o ar, chocos grelhados e areia a escaldar nos pés. Dois dias depois, a bigorna do despertador e o calvário da hora de ponta. A areia quente desaparecida dos pés é a longínqua lembrança a que nos agarramos para sobreviver ao inverno.

Penso que gosto de torradas. É uma assumpção, tomo-a por garantida. É preciso que me falte a manteiga para me lembrar que não, não é de torradas que eu gosto. É só de torradas com manteiga.

Vamos jantar. Gosto de jantar. Daqui até ao jantar tudo são as horas que faltam até irmos jantar.

Gosto de ti pela tua falta. Por ter sido na ausência que te conheci e porque em cada ausência tua me assomas como a manteiga, sorrateiramente fundamental. Metade de nós é ausência e, se não fosse a ausência, metade de nós não era. Adoro que me faltes.

Só um arranhão.

O silêncio nesta casa é muitas vezes ensurdecedor. Hoje ainda não liguei a música.

É para me ouvir melhor.

Mudar de vida assusta. Fui eu que quis, é certo, despedi-me e voltei a despedir-me depois de uma contraproposta com cargo bonito e tudo. Eu sei. Agora espero. Às vezes dou por mim a desejar ter que mudar de cidade por um emprego. Por uma vez, uma mudança drástica vinda de fora. Já me auto-infligi tantas.

Convenci-me ao longo da vida de que gosto de mudar. Confesso que hoje não sei se é gosto ou tique ou fuga. A familiaridade assusta-me quando não gera contenda.

No meio de tudo isto, consola-me saber que, coerentemente, amanhã a minha opinião já mudou e acordar em silêncio vai-me parecer o éden.

sábado, 13 de agosto de 2011

"É p'ra te comer melhor",

foi o que me ocorreu quando ouvi isto hoje, pela primeira vez.


Walking distance

é um pleonasmo. Todas as distâncias são andáveis.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A manada II

Os homens levam os gadgets para férias. Nos porta-moedas, as facturas de gasolina de todo o mês. Os homens pedem às mulheres que lhes guardem as coisas nos sacos de praia. As mulheres andam carregadas. Os homens caminham à frente e olham para trás. Riem-se uns para os outros e dizem que as mulheres são umas complicadas, andam sempre carregadas com tralha que de certeza nem chegam a usar.

domingo, 7 de agosto de 2011

In this shirt I can be you

Por uns dias, semanas, meses, quiçá, vou andar inevitavelmente obcecada pelo tema de trocar de papéis, de viver a vida de outro.
A música serve-me mas não sei se vai ficar bem. Como tenho aversão a circo em geral e a palhaços em particular, tive que colar isto de olhos fechados.

sábado, 6 de agosto de 2011

A mais bonita história que já ouvi.

As oportunidades não caem do céu, disseram-lhe toda a vida. A dela caiu-lhe numa mesa e ela então desconfiou. Não a quis mas fitou-a, da cadeira pesada, por quatro enamoradas horas. Ninguém a queria, ninguém a reclamava, não haveria de ser preciosa, levá-la-ia para casa ao picar do ponto. Nesse dia a sua vida mudou, tomou de intravenoso aquele caderno de linhas, e a vida dele nas suas mãos passou a ser a vida dela.

Foi a mais bonita história que já ouvi. Resta-me agora esperar que ela a conte.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A manada

Convenhamos. O mais giro das férias em grupo é observar as irritantes obsessões rotineiras dos compinchas de viagem. E acabar a semana com a certeza de que eles não toparam as nossas.

Até porque nós não as temos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

1995 é tão este ano.

Hmmpf.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Arrumar as botas

para ir de férias:

- uggs;
- protector solar;
- chapéu de cowboy;
- barbatanas;
- Hit Parade 1995;
- toalha;
- touro mecânico.

Acho que tenho tudo o que preciso para sobreviver na ilha.

sábado, 23 de julho de 2011

Quem espera.

A espera é subvalorizada. É no fundo na espera, e não na chegada, que se concentram as emoções mais intensas. Quando se espera tudo é possível, enquanto se espera percorre-se velozmente uma gama de emoções em potência e vive-se com a pele cada um dos cenários imaginários.

Veja-se eu, por exemplo.

Disse ao empregado que ficava à escolha dele. E agora estou para aqui a saborear, à vez, a de vinho branco com laranja a sério, a de vinho tinto com citrinos e mirtilos, a de Cava com frutos silvestres e a de espumante com citrinos e morangos. Quando a minha sangria de facto chegar, não tem como não ser uma desilusão.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Rigardia

Ele perguntou-me se gostava deles. Eu não os conhecia. Dois dias depois, à frente de outra banda, entre nuvens de pó, eu estava tocada e esforçava-me por disfarçar que aquilo me estava a dar vontade de chorar. Tenho um amigo que é caladinho mas quando está com os copos fala muito das coisas que lhe entopem a garganta. Estava ao meu lado. Ainda bem, distraiu-me da minha lamechice insólita de cidra e vodka. Falou-me dela - falas sempre dela - e falou-me da música dela e das músicas que ela gosta. Perguntou-me se eu gostava deles. Sorri, os olhos húmidos -, acho que não reparaste - e respondi que sim, tinha descoberto há pouco que sim. O resto das coisas que disse perdeu-se no pó da minha cabeça.

"Rigardia" é um neologismo da autoria de dois linguistas portugueses - um deles não está certo de o ser, procura caminhos ainda - e vem suprir um fundo vazio de sentido que a língua tinha vinho a descurar: a cadeia de referências contextuais espoletada num curto espaço temporal por uma descoberta com significância para o sujeito. Ainda que este não o saiba de antemão.

Três dias depois, no escuro do "Les Petits Mouchoirs", levava com isto na tromba e sorria, rendida ao neologismo.



Nota: Eu não posso, por princípio, escrever aqui crítica cinematográfica. Sofreria penalizações em forma de chacota. Tenho amigos pouco tolerantes, sim. Mas digo baixinho que não percam o "Les Petits Mouchoirs".

terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma pergunta e uma musiquinha para enfeitar

Até que ponto mudar o sítio onde se vive é mudar de vida? Às vezes parece-me muita parra.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Facto sobre o SBSR

Tem quota obrigatória para portugueses.


Assim deduzo pela presença dos Gift.

domingo, 10 de julho de 2011

O arquétipo da paixão

Conhecemo-nos a ler uma história épica de amor, sangue e vingança, Das Nibelungenlied, e vivemos os dois alguns anos.

Ele abraçava-me com muita força todas as manhãs, como se tivesse acabado de voltar de uma plataforma petrolífera na Líbia. Não dizia uma palavra porque acordava sempre de mau humor e só falávamos depois do almoço. Quando metia a pata na poça, gritava e lacrimejava de raiva e saía porta fora para voltar 20 minutos mais tarde com queijos, uma caixa de húngaros e um vinho debaixo do braço. Os húngaros eram para ele. E apertava-me as mãos nas dele, que tremiam enquanto abria muito os olhos brilhantes para mim.

Vivia-nos como se amanhã pudesse não haver. Adorava-nos sagradamente e antes de todas as coisas. Não gostava de pessoas, só gostava de mim, do cão e de dois bons amigos. Um deles era o cão.

Como tudo o que se repete, eu achava aquilo normal e frequentemente enfadonho. Pedia-lhe comedimento e ponderação, dizia-lhe que os abraços me pisavam nas costelas.

A imagem dele cravou-se em mim como o arquétipo da paixão. Sei-o, inevitável. Não espero que todos os homens sejam assim. Não quero que todos os homens sejam assim. Mas espero que, quando o mundo se afunila nele e lhe aperta os tomates, que seja capaz de um salto arrojado, que seja incapaz de pensar amanhã, que se dispa para sair à rua, que se ofereça à vergonha e se nauseie com o morno, que faça hoje todo o ridículo que as pessoas fazem quando se querem com força, porque a vida não dobra, só parte, e amanhã nós já não somos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cuspir para o ar.

Encho a boca com aquela teoria de que da vida se quer levar tudo, bom e mau. Uma vez até comi mão de vaca ou pé de porco ou lá o que era só para ter razão.

Sabia contudo que, mais tarde ou mais cedo, o cuspe me havia de cair em cima. Há primeiras vezes perfeitamente escusadas. Desistir é uma delas.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Acabou.

E enquanto as mulheres procuram respostas, os homens chutam perguntas. A torto, a direito, à esquerda, atrás. Todos os caminhos seguem em frente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Encetar, enxertar.

Voltar a um sítio que já foi habitual produz uma sensação de confusão e estranheza ante a pessoa que fomos e entretanto deixámos de ser. Eu às vezes olho para o espelho, só quando não há barulho nem pessoas, e vejo-me como se fosse a primeira vez, uma estranha, e desvio os olhos e evito o contacto embaraçoso com aquele ser. Gostava de saber que não sou a única porque isto me faz obviamente duvidar do meu equilíbrio anímico, já para não dizer saúde mental. Adiante, os lugares habituais.

Pelo contrário, em raras ocasiões temos o privilégio de tomar consciência do momento em que instauramos um hábito. Se assim fosse, memorizaríamos a porta em que dorme o sem-abrigo para nos lembrarmos de entrar pela outra, atentaríamos na laje solta do corredor para evitar tropeçar da próxima, sorriríamos desde logo ao senhor da bilheteira porque queremos doravante ser bem tratados, procuraríamos o cartaz dos gelados porque se é Camy não interessa e compro o meu corneto de nata lá fora, veríamos se há máquina de tabaco para não praguejar na vez seguinte, perceberíamos qual é o ponto com mais luz para ler e leríamos de facto o preçário do parque de estacionamento. Mas não. Os lugares habituais raramente se adivinham. Quando tomamos consciência de um hábito, já ele se instalou em nós de jornal e pantufas, e olha-nos por cima dos óculos, a sorrir sacanamente.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

também é bonito de ouvir sem som

tem asiáticas e homens amarrados em camas.

(isto estava a começar a abichanar mas reparei a tempo)

O que arde cura,

o que aperta segura, o que dói apaixona.

sábado, 2 de julho de 2011

mal passado

Atravessava a avenida com passos rápidos e olhos no chão, em sandálias vermelhas. De paralelo em paralelo, disparavam imagens de outra noite em que atravessava a mesma avenida em sapatos diferentes. Em mãos diferentes.

O desafio do presente, para quem já leva uns anos nos ombros e nas pálpebras e nas coxas é esse mesmo, o de dosear o passado. Injectá-lo em doses certas é sensato e produtivo, enquanto que ignorá-lo ou mesmo recalcá-lo é desintegrador e resulta na maior parte dos casos em cenários desastrosos, como quem não adivinha um crash pelo preço da tulipa.

As relações aos trintas sofrem inevitavelmente da falta de novidade. É a vida. Ela já aconteceu, e várias vezes. Apaixonar-se por alguém e sentir-se amado depende em pesadíssima parte da mestria da arte do faz de conta. Faz de conta que nunca aconteceu, faz de conta que é novo e que pode levar a qualquer lado inusitado, mesmo quando já sabemos de cor as coordenadas do destino. É de fulcral importância acreditar nisto ao ponto de fazer o outro acreditar também e de assim se sentirem ambos únicos. Sentir-se único a dois é vital e é muito frágil. Simultaneamente, é imperativo contornar a tentação da omissão - quando é que é lícito não dizer que já estive aí e já fiz isso? - e, sobre todas as coisas, fugir desesperadamente da pouca inteligência da mentira, da estranhíssima vergonha de assumir o que somos com o que fomos, incluídos os seus ciclos e falhas e aparatosos embaraços repetidos.

Fazer de conta para ser a sério. Quem diria.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As pessoas que escrevem bem incomodam-me

Vinha muito contentinha escrever uma coisa sobre bolachas de água e sal quando, inevitavelmente, leio umas coisas bonitas, coisas humanas, escritas de forma bonita e com letras. Despretensiosamente. Estes acontecimentos dão-me vontade de ouvir Elvis, tiram-me o apetite e envergonham-me do que ainda não escrevi sobre as bolachas de água e sal.

Portanto agradecia a essas pessoas que por favor não escrevessem mais nada de jeito e que descurassem a técnica. Se querem insistir em comportar-se assim, que vão fazê-lo para locais próprios.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"Problemas do fórum

emocional", disse ele.

Eu sei que vocês me acham má pessoa e pensam que seguramente terei ouvido mal, até porque além de besta também sou um bocado surda do lado esquerdo, por isso pedi-lhe...

..."Não te importas de deixar isso em acta?"

E ele deixou.

Palminhas.

Sinto-me tão sexy

com este cheiro a sardinha assada e farturas.

E para os que vão a guiar, aqui fica uma musiquinha muito bonita. Também é sexy. Cautela.

domingo, 26 de junho de 2011

Good things come to those who wait,

disse ela.

Por isso é que eu chego sempre atrasada. Ninguém me entende, hmmpf.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Época balnear

Maminhas e rabinhos. Cabelinhos despenteados. Risinhos e cremes. Espalha espalha.

Gajos, nem vê-los.



Não se podem levantar da toalha.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

mentirinhas bonitas

terça-feira, 21 de junho de 2011

Piurso

Quando era pequena pensava que esta palavra - piurso - era uma amálgama da expressão "pior que um urso".

Agora que sou grande e investigo palavras, estou no caminho para ter 98% de certeza.

Em conclusão, não sei para que serviu tanta escola.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Um abraço

do tamanho de tudo o que brilha, de tudo o que é nobre e mais verdadeiro, que nos enche os olhos e fecha as gargantas. Um abraço do tamanho de toda a vida, ao melhor homem do mundo.

sábado, 18 de junho de 2011

silogismo

Se
a mulher goza o momento
e
a vida é um conjunto de momentos
logo
a vida goza com a mulher.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

a ténue fronteira entre, vocês sabem.

Se a cada mês de vida me sentasse a fazer um balanço - não, de pé não - concluía que todos os meses têm coisinhas pequeninas aguçadinhas. Como uma areia no olho ou a caruma que se me espeta no rabo sempre que me sento na tenda de campismo em biquini. São coisas que as pessoas são, ou coisas que as pessoas são incapazes de ser, que deixam cicatrizes e mais um milímetro de testa a cada mês que passa. Mas dizem que trazem montes de vantagens. Os dramas e as desilusões deixam dores crónicas que não permitem esquecer erros e obrigam a pensar três vezes antes de repetir uma encrenca, tipo aqueles 3 segundos de hesitação antes de meter à boca o pimento padrón que toda a gente à mesa já avisou que asfixiava.

Portanto, há dores dessas, que são pa' meninos e que não interessam pevide - a malta diz que eu escrevo muitos palavrões, ando a munir-me de um arsenal maricas de alternativas -, e depois há as dores a sério. Dores para homem. Simétricas e deliciosas, quem dera que nunca passassem.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Deixa-me só explicar-te.

Não, estúpida da merda, tu não és a dona. Nunca foste nem nunca serás.

domingo, 12 de junho de 2011

Vocês que percebem de psicologia.

Hoje acordei e cambaleei, como sempre, até à cozinha. Ligar a máquina de café. Tirar uma chávena só com um olho. O costume. Em cima do fogão estava um copo de cocktail, daqueles em que se põe o dry martini com uma azeitona - isto deve ter um nome próprio mas não vou googlar - meio cheio com qualquer coisa transparente e uma vela em forma de "S" a flutuar no líquido. Não me lembrava de nada daquilo, mas bom, a noite de ontem não foi propriamente lúcida. Ao lado do copo estava um livro de receitas de cocktails e uma notícia sobre um blogue. Impressa.

Quando me acerquei do papel para o ler, notei que no lugar do forno estava a máquina da loiça. E no lugar da máquina da loiça, o forno. Assustei-me um pedaço e tentei lembrar-me do que aconteceu antes de aterrar redonda na cama - já uma vez me deitei com um sari indiano em mau estado e acordei desmaquilhada e de pijama, não é assim tão estranho. Não me lembrava. Liguei à minha irmã. Quando me atende, reparo que me falta a máquina de lavar roupa e percebo finalmente que a minha casa foi assaltada.

Foi, não. Estava a ser.

Pela varanda da sala, um casal despojava a minha casa dos aparelhos eléctricos mais valiosos. Quando dão pela minha presença, à porta da sala, de robe (por pura sorte) e telemóvel na mão, tentam saltar da varanda. Ele consegue, ela torce o pé. Reconheço-a, é minha colega de trabalho, francesa, e está ali, deitada no chão da minha varanda ao pé do LCD. Agarro-lhe na mão e trinco-lhe as pontas dos dedos um a um, com os incisivos. Sinto a carne a romper-se. Ocorre-me que lhe estou a estragar as impressões digitais, que burra.

Algures no processo, vi um anúncio televisivo - sim, o LCD estava na varanda, não sei - no qual dois cães, um deles o meu, faziam uma viagem em jeep ao pôr-do-sol. Não estavam alegres à cão, estavam mais pensativos e confiantes naquele fim de tarde.

E então acordei outra vez.

Analyse that.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O dom da obliquidade,

disse ele.

(He.)

(Hehe.)

(Hehehehe.)

(Hehehehehheehehehhehehehe.)


(Ahahahahhahah)
ahahhahahahahahhahahahahahh!!!


Sou má pessoa.


I deserve a good spanking.
And then...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Toda a gente gosta de gostar?

Cruzo-me amiúde com clichés. Nas ruas da baixa à noite, no trabalho de dia, no ginásio uma vez ao mês, nas barracas de farturas ao fim de semana, nas bombas de gasolina ao domingo à noite, por aí. Há gente que não gosta de outro porque não quer arriscar a liberdade, há gente que tem mesmo muito medo sincero de se magoar, há gente para quem ninguém chega (ou não chega para ninguém), há gente que tem vergonha do que é e pânico de ser visto por dentro, há gente focada na carreira, há gente presa à família, há gente que gosta de demasiada gente e não é capaz de escolher.

Já tentei entender sozinha mas não consigo. Há mesmo quem não goste de gostar?

E, já agora, quantos de vocês tiram a grainha às uvas? É outra coisa que me intriga e assim faleciam os dois coelhos.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A origem da rivalidade Lx-Porto

1'00''- 1'16''. Elementar.

Estória

Detesto esta palavra. Simplesmente não tem um espaço semântico livre para ocupar na língua. Anda ali a roçar o rabo nos espaços das outras, tipo a minha tia quando quer provar as nossas sobremesas, porque ela não, que horror, ela nunca pede sobremesa mas vai-se a ver acabamos sempre na beirinha da cadeira e sem colheres na mão. E assim se cultiva a fama de ser diferente das outras.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Diabetes da pinha

Sem jantar, estou enjoada. Não tolero conversas doces, está agora cientificamente provado.

domingo, 5 de junho de 2011

"Quem não se sente não é filho de boa gente",

ouvi uma dúzia de vezes. Diziam-me que não estava bem que não me incomodasse com ocasionais trocas de nomes, com mensagens de ex-namoradas e fotografias esquecidas em gavetas fechadas. Não estava bem. Mas eu tinha vinte anos e acreditava que a transparência despia. E que as histórias mereciam respeito e tinham um lugar no presente, indissociável das pessoas que somos neste minuto que passa. Era detentora, portanto, de uma auto-confiança do tamanho de um mamute depois do almoço de domingo e de uma visão periférica de 360 graus, que usava sem sequer tentar. Coisas próprias da idade.

Os anos avançaram e vieram as chagas para lembrar que há um fim e coisas ainda piores que fins. Hoje, à janela, enquanto escrevia a uma amiga precisamente o contrário, apercebi-me de que.

Sou exactamente a mesma substância. Sou os mesmos erros, sou a mesma inconsequência consciente e o mesmo entusiasmo, gosto despreocupadamente, não tenho medo absolutamente nenhum de me magoar até me magoar, acolho o "dark side" hospitaleiramente, vivemos bem os dois e acreditamos que a vida acontece nos intervalos, naqueles minutos em que tudo pára e só se ouve.

Tum-tum, tum-tum, tum-tum.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Aprender a cair. (esta merda não é uma metáfora)

É muito importante aprender a cair.
Se vais cair predominantemente sobre as pernas, o melhor que podes fazer é flectir a perna sobre a qual cais e dar ao chão a anca, a parte de fora da coxa. No momento do impacto, acontece que rebolas automaticamente sobre o rabo e assim os dados são menores. Sobretudo se tiveres um rabo como o meu. Se, por outro lado, cais projectado e é o tronco que sofre o embate, tenta colocar a mão na zona da anca, do lado oposto - se for o braço direito, é o lado esquerdo da anca - e dá esse ombro ao chão. Esta posição de bicho-de-conta ajuda-te a rebolar e a distribuir a força da queda por várias áreas que estão contraídas.
Se esta merda fosse uma metáfora da vida e dos amassos, não seria nada assim.

domingo, 29 de maio de 2011

Uma estúpida canção que só ela ouviu.

Ela - E sabes, como éramos tão, tão amigos e aquilo aconteceu... Ele teve medo e acabou por afastar-se. Era demasiado intenso para ele, sabes? Demasiado... pá, certo, percebes? Era aquela coisa tipo para sempre, muito muito muito forte mesmo. Forte demais, pronto.

Eu - Pois... Eles às vezes têm assim... err... medo das coisas muito intensas. Assim muito boas... E do compromisso, também. Teve medo do compromisso, lá está. Olha lá o tipo giro de pólo azul, está a olhar para aqui.

Ou
Eu - Querida, ele acha que tu estás pungentemente magra, que o brilhante no dente é execrável e que falas demasiado. Esquece lá isso. Olha lá o beto com cara de castor, é estrábico.

Que se foda.

Acima do homem está a dor. Não importa o que tu és nem o que nos fizemos. Se hoje, sem contar, ainda sinto a tua é porque acontecemos bem.

sábado, 28 de maio de 2011

Não tenho livros favoritos

mas lembro-me recorrentemente destes três.





No Passage, há aquela parte em que o indiano Aziz combina um chá com a inglesa Adela em sua - dele - casa às 15h. Quando ela chega, ele não está. Nunca teve intenção de estar. Era uma expressão de cordialidade, com hora e local marcados para reforçar a boa intenção. O Ocidente foi orientalizado ou vice-versa, pouco importa.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ter a boca no coração

Já não gosto de bacalhau à Zé do Pipo. Deixei de achar piada à açorda de marisco ali da praia. É picante e boa e não mudou. Acho que o meu palato deixou de reagir a coisas boas. Precisa de um estímulo asqueroso como as folhas de lavanda ou sobrecarregado como o extracto de óleo de lingueirão para as notar, ali ao lado, para reconhecer a informação como "boa". De outra forma, é mais do mesmo, harmonia repetida e ondulada, embalada em tédio tépido.

Ou isso ou estou grávida.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Temo pelo meu cão.

O dono está com o cio.

Da espiritualidade que há em mim.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Quando tens os olhos fechados,

faz toda a diferença se olhas em frente ou para baixo. Toda. Todas as pequenices importam."
P. Bausch (mais ou menos assim, do alemão)

Ou como as coisas que eu não vejo são as que ditam se acredito em ti.

E o Vollmond. O Vollmond continua a fazer-me pensar na morte. Leia-se, na pena que vou ter de um dia parar de viver.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tudo ao molho

Tenho sentimentos mistos em relação a esta música. Vai daí, quero.

(Minuto 4:05 dedicado à Maria Biju.)

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que ficou por dizer

é lixo espacial. Esteve há tempos na vanguarda dos teus dias, irou-te os olhos, entupiu-te o nariz e corcovou-te as costas.

E de repente.

Orbita aos pedaços, demasiado longe para sequer lhe notares a sombra. Colide e amalgama-se com o resto que deixou de ter lugar. Não é de propósito, a gente sabe. É a drenagem natural das coisas.

domingo, 15 de maio de 2011

Tendemos a gostar deles estranhos.

Gosto dele, do James Blake. Imagino que faz música à mão. Que está ali horas a talhar, a aplainar, a envernizar. Hoje ouvi esta com cuidado e achei-a especialmente delicada.

A mais recente The Wilhelm Scream também é bonita, mas isso vocês sabem de certeza.


É, é o que eu penso de todos vocês.

Menos um, claro.

daqui, por sinal viciante.

sábado, 14 de maio de 2011

They say you hear human voices / but they only echo

Tenho um secreto prazer em ser imbecilizada. Como daquela vez em 2007, em que a Marisa me disse que achava muita piada a este novo artista, o Mika, e eu lhe disse que era igual ao Jack Johnson. Ela riu alto e condescendentemente, abanou a cabeça e contou-me a História dos estilos musicais. Ela tinha um diploma do Conservatório e ia cantar com os Madredeus no fim de semana a seguir. Eu ouvi-a atentamente e agradeci no fim. O que eu queria dizer era que o valor musical do Mika era exactamente igual ao valor musical do Jack Johnson, por sua vez iguais ao de um macaco com um gongo. Mas não expliquei.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Um belo dia

Todos as manhãs tenho uma desculpa nova para me atrasar no banho. Hoje foi esta.

E a verdade é que foi mesmo um belo dia. Estou coberta de sal.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Duas mulheres certas

Estou com a Mulher Certa nisto.
Bem haja a Martha Graham, companhia certa dos meus longínquos anos de juventude. Devo-lhe 15% da minha disciplina. Não é muita, eu sei, mas cada um dá o que tem.
(não tentem abrir o segundo link noutros dias que não hoje, 'tá?)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Estado da arte

O T. tem uma namorada bailarina. Vai comprar uma objectiva luminosa e tirar um curso de fotografia de palco. Sugeriu que eu fosse com ele, para começar a dar mais uso à minha Nikkon XPTO. Expliquei-lhe que, enfim, só se justificava caso o meu namorado fosse um palhaço.

Fiquei então de pensar no convite. Bem vistas as coisas, assumamos que não é assim tão, tão improvável.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Jane Eyre ou a razão pela qual não falo de coisas bonitas

Sei que gosto de um filme, ou de um livro, ou de um quadro ou de uma de ópera, quando durante as horas que se seguem oiço um zumbido agudo, como o que fica no ar depois de um tiro.

Em Serralves

eu - Eram duas entradas para as Recordações da Casa Amarela, se faz favor.
ele - *sorri*
eu - *sorri de volta, pisca os olhinhos*
ele - *ri-se*
eu - Err... *sorri*... Mas queria mesmo as entradas para a Casa Amarela.
ele - Casa Rosa. São 3 euros, se faz favor.
eu - *glup*


Adoro dar às pessoas matéria de que falar quando chegam a casa.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Watchmen e outras histórias

Comprei-o há um par de meses em Londres. Por impulso, sem pensar muito. Tem sido assim que me aconteceram algumas coisas boas. Como era para oferecer - talvez, quiçá, sem pensar muito -, não o li. Não lhe queria quebrar a capa dura.

Hoje escarrapachei-o ao meio. Afinal é meu, já o posso estragar. Embora tenha muito respeito pelos livros, não me importo nada de os ter estragados. O Retrato de Dorian Gray, por exemplo, tem areia e água do mar e o Kim do Kipling, arranhado, cheira a pinho da minha casa na Alemanha. O que perdem em estética ganham em paratextualidade. Contam mais uma história para além da que está dentro.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Professor Domingos Paciência

"Os deuses estiveram connosco (...) e a sorte procura-se."
SIC Notícias, 22h43

Investigar é que é

Então portantos parece que falar alemão que é uma língua das difíceis faz crescer ali uma parte do cérebro que não cresce de outras maneiras pelo menos lícitas e sabe-se isto porcosa das 600 freiras que aprenderam alemão e doaram os cérebros à ciência vistas que são uma amostra do mais homogénea que há que não fuma e comem todas à mesma hora e tudo.

Há empregos do arco da velha. Eu cortava-lhes as cabecinhas às postas de borla.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

progresso social

A Teixeirinha diz que me faltam competências sociais. Acho que isto veio no seguimento do irlandês giro que me perguntou coisas sobre letras dos Divine Comedy no concerto de sábado e que, segundo ela e entre facepalms não andava propriamente à procura dos esclarecimentos linguísticos que eu lhe dei com tão boa vontade antes de meter as mãos aos bolsos e act like a tree and leave.

Pois então esta semana instalei o IMO no iphone, uma aplicação que me permite sincronizar as contas todas e utilizar só um chatroom. Já fiz um monte de amigos e falamos a toda a hora.

Foi uma pena porque o irlandês era de facto bem giro e não perdia nada em saber duas coisas de linguística. Hoje vou ver MGMT ao mesmo sítio. Se ele lá estiver adiciono-o aos meus buddies do IMO, prometo. Vês, Teixeirinha, progressos.

Como é que se sabe (IV)

que se herdou as ausências patológicas do pai?

Quando se entra num WC com um molho de chaves, um telemóvel e uns óculos de sol na mão e se sai com um molho de chaves, um telemóvel, uns óculos de sol e um rolo de papel higiénico na mão.

Para o corredor.

De uma escola.

domingo, 1 de maio de 2011

continua chamando-me assim, bebé. bebé. continuas a ter-me pra ti, bebé. bebé. não aceitas nem queres aceitar que já sou u...

coruja na dancinha estranha Coruja na dancinha estranha

Foda-se, pensei que dormindo me saía da cabeça.

Late night post

...their prey gather in herds
Of stiff knee-length skirts, and white ankle-socks
But while they search for a mate, my type hibernate
In bedrooms above, composing their songs of love...



Nada como um serão com um homem com sotaque. Valeu a pena respirar fundo, tapar o nariz e entrar na queima das fitas.

E esta canção vai para ti, blogosfera.

sábado, 30 de abril de 2011

Ai, ui, tão anónimo.

Às vezes apetece-me espetar aqui uma foto das trombas porque esta palhaçada do anonimato só serve para afiar a curiosidade alheia e elevar as estatísticas de bulimia entre leitores do sexo feminino.

Mas depois não o faço porque sou feia como um bode e não quero perder as minhas sete visitas diárias.

Quem sabe, um dia vamos os oito beber um copo e um deles até é lindo de morrer. Pelo menos parece. A forma como ele usa o ponto e virgula é tão... ufffff... encantadora.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dançar

Uma actividade com tantas gradações como as unhas das ucranianas. Há a salsa e merengue e depois há o tango e a Pina Bausch e o Baryschnikov.

Vivam partes do dia da dança. Todo não.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Beijinhos, um absurdo.

Nojo de um pé em falso no passeio. Asco de um pacote inteiro de açúcar no café. Meio é mais proporcional e o passeio é regular. Cama depois das 10h, um desperdício. Confundir um Bordalo Pinheiro com outro Bordalo Pinheiro, inaceitável. Deixar comida no prato, cálculo deficiente. Medo de voar, incoerente. Suar, repreensível.

Monstros. Somos monstros de lógica e somos tristes, mas sabemos porquê e está tudo bem.

domingo, 24 de abril de 2011

Dei Werther's Original ao Compasso,

não estava com tempo para partidas.


Que eu fiz um semestre de catequese, ah pois.

sábado, 23 de abril de 2011

Por favor não incomodar,

estou a dar-lhe com energia na tese.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um inglês, um cão e um blogger chegam a um bar

Se isto se chamasse "As coisas que me fazem rir" ia parecer muito foleiro e ninguém ia ler. Assim, é na mesma muito foleiro mas alguns hão-de cair na esparrela.

Um dos filmes que me faz rir, muito e sempre, é o The Quest for the Holy Grail, dos Monty Pythons. É um filme básico: o cómico de personagem assenta na paródia de figuras históricas e de estereótipos nacionais e políticos (a anarcho-syndicalist commune atira-me para o chão) e o de situação em clássicos de nonsense repetidos na prosódia certa até ao ponto em que uma pessoa - espero que haja outras pessoas além de mim - aguarda em tensão e histerismo contido pelo próximo "shrubbery" ou "I want to sing and". É básico, eu sei. Até porque já o disse.

Uma pessoa que me faz rir é o meu irmão. O gajo é tão certinho que mete nojo. Chega cedo a todo o lado - quando eu chego, 30 minutos mais tarde, juro que lhe vejo os braços cruzados e a capa escura a esvoaçar por entre os holofotes da vergonha que me ofuscam enquanto rastejo em súplica até aos presentes -, tem uma namorada bonita e bem comportada há muitos anos, lava o carro, sabe usar um berbequim e come saudavelmente. Mas o tipo tem um problema (além destes outros todos): quando ri a sério, sufoca. Quando acha mesmo piada a alguma coisa, fecha os olhos e desata aos murros no peito porque perde o ar. É hilariante.

E cães. Bolas, os cães. Eu não sei ser uma pessoa espiritual - já tentei, mas depois dá-me a fome - mas tenho uma grande percentagem de certeza que já fui ou estou muito próxima de ser cão numa outra existência qualquer. Passo horas a coçar os olhos com os pulsos. Escondo coisas quando as pessoas chegam cá a casa e abro a porta a arfar. (Sim, devia arranjar uma empregada doméstica regular.) Quando gosto muito de alguém, a minha coisa favorita é esconder a cara em covas como aquela entre o pescoço e o ombro ou o interior do cotovelo. E podia passar um dia inteiro a coçar as costas na relva, é essa a verdade. Rio-me muito com os cães e prefiro estar sozinha com eles. As pessoas inibem-nos.

Eu costumo querer dizer alguma coisa com os posts que escrevo. Desta vez chego ao fim sem dizer nada. O importante no meio disto tudo aconteceu antes do post e não é da vossa conta. Mas fez-me rir tanto, oh tanto, tão tanto.

One thousand ways to please your ma... Hum? Ah. Olá.

Qual seria a probabilidade de, já não saindo à noite há um par de meses, encontrar... isto a meio de uma faixa de Strokes?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ainda do Poulet aux Prunes e não só

Esperar é estúpido. E fatal.

Brutal, o sacana do livro.

poulet aux prunes


Às vezes vale a pena abrir a caixa de correio.

Li-o em 50 minutos, de pé, enquanto os congelados descongelavam nos sacos do supermercado. A certa altura, quase me esqueci que estava a ler em francês - uma agradável surpresa. A espaços, lá aplicava a técnica do L. Pacheco às palavras que desconhecia e devo dizer que funciona bastante bem.

Outra coisa que vale a pena é manter amigos por 15 anos.

Obrigada. Muito. Há relações à distância que, sim, funcionam.

Grande abraço Porto-Bruxelas-Trier(-Natal. Bolas, vocês não páram quietos.).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

ri-me

e depois adormeci.

(ter filhos)

(quando as pessoas têm filhos levam-nos a sítios para que as pessoas os vejam. quando eu estou nos sítios tento escapar-me. não tenho absolutamente nada contra crianças - ressalva tão escusada quanto obrigatória -, mas a pressão é demasiada. tipo um amigo que compra um opel corsa em segunda mão e vai lá a casa mostrá-lo. o que é suposto dizer-se? é um bebé. nem sequer vai perceber as frases mais bonitas que eu eventualmente sacar da cartola. é óptimo que tenham bebés - deve ser -, óptimo para eles. fora aquelas alturas em que é péssimo.
a maioria das minhas amigas, não as mais próximas, mas a maioria, têm filhos. isso estragou-nos as dinâmicas de jantares e copos e enrugou-lhes as bochechas. de resto, deve tê-las feito mais felizes. eu não sei bem, porque passámos a falar só por sms e por sms o mundo é tão orgânico e linear.
o que eu acho sobre ter filhos é portanto exactamente igual ao que acha qualquer outra (blogger) solteira nos 30: ressalvas e menosprezo.
acontece que eu gosto de comer. e se à mesa há pratinhos de entradas, eu vou querer provar as que nunca provei e a seguir experimentar um prato novo da ementa. no sábado comi santiagos - nunca tinha ouvido sequer falar deles e fiquei muito contente. há dois dias olhei para a minha barriga - a minha barriga é fofinha e tem espaço - e pensei que mais cedo do que tarde vou querer experimentar ter um filho porque no fundo não vou descansar enquanto não souber ao que sabe.)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Da inteira responsabilidade de Luiz Pacheco.

(especial atenção a partir dos 2'36'')

Observatório de aves


Não entendo.

Não é suposto que a probabilidade de observar os passarocos através de um quadradeco... diminua?

De resto, foi um bonito passeio. Gostei de ver as febras no enquadramento do prato lá para o fim.

sábado, 16 de abril de 2011

Como odiar um homem em 53''

- Olá. Entra.
- Olá (beijo beijo). Então estás boa?
- Sim, tudo bem. Deixa-me mostrar-te a casa. É pequena, são dois segundos.
- Tens animais?
- Aqui não... Porquê?
- Ainda bem. Detesto bichos.
- Hum. Er... Ok. Como estamos de fome? Ia começar agora.
- Temos alguma. O que vais fazer?
- Isto.
- Carne?
- Sim, porquê? Não gostas?
- Gosto, gosto muito mas... É sexta-feira.
- Sim, e?
- Sexta-feira, Quaresma...
- Oh. Vai gozar outro.
- Está bem.
- Espera, estás mesmo a falar a sério?
- Estou.
- Ok... Desculpa então. Eu... Eu... Eu tenho um plano B. É isso... não faz mal.
- Só se puderes, vê lá.
- Sim (tosse tosse), posso. Bom, vamos abrir uma garrafa de branco então. Tenho Vallado e Alvarinho, qual preferes?
- Não bebo vinho. Tens cerveja?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Antes de ir

queria só dizer, Minha querida, gostava de te ver.


Empalada.

Num milheiral.

Um rim à mostra e eu brindava à nossa.

Na alheta

Até um dia destes.

Capitalizar

Em tempos de crise, aposta-se tudo em consumir e possuir o próximo. Ser poupado é uma questão de sorte.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O contrário já se sabe.

Mas pior, pior, é a desilusão com expectativas baixas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O verdadeiro problema da idade

é que, de ano para ano, se esgotam as desculpas para as coisas que não queremos fazer. O meu pai não me deixa, não tenho como ir, não tenho dinheiro para isso, o namorado não quer que eu vá, preciso de ter experiências com outras pessoas, ainda há tanto que quero fazer antes disso, ...
Oh bolas.

domingo, 10 de abril de 2011

E pronto,

era isto que eu ouvia ontem. Finlandeses, quem diria.

Já sei, já sei, parece Joy Division. Não faz mal.

a luz estava bonita quando acordei

Uma vez vi a pele de uma cobra no chão e pensei que era mesmo uma cobra. Não era. As cobras mudam de pele e deixam o que foram espalhado pelo mato.

sábado, 9 de abril de 2011

La la la la la

Acho que estou atrasada.

Ando muitas vezes atrasada porque gosto de aproveitar o tempo e acho que dá sempre para encaixar mais uma qualquer tarefa antes que me toquem à porta, tipo escrever esta coisa. A maior parte das vezes não dá, eu sei, é um problema que eu tenho.

E quis encaixar esta coisa antes de voltar a sair porque vinha no carro e ouvi uma música nova e gostei. É uma coisa que me apraz, músicas novas de que se gosta à primeira. Por muitas que aconteçam ao longo dos anos, há sempre uma parte da minha carne que treme quando ouve uma música das boas pela primeira vez. Admiro esta capacidade humana de se agitar perante coisas cíclicas. Já vi tudo 30 vezes e continuo a encantar-me com a primeira noite do ano com sandálias.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Universidade, para que te quero?

A propósito da discussão que lá vai para os lados do grande Anão e do diariamente reiterado os cursos superiores são demasiado teóricos, gostava só de constatar o óbvio.

Um ser humano treinado para pensar em altos níveis de abstracção é à partida capaz de descer ao concreto e resolver problemas em contexto real, seja ele qual for. Às tantas não parecendo, "seja ele qual for" é absolutamente fulcral na combinação da conjuntura socioeconómica com o enquadramento legal do trabalho em que fomos apanhados na última década. Pensamento abstracto e criatividade, é tudo o que a Universidade deve exponenciar - nos seus vários ramos, claramente, e com os métodos de análise mais adequados a cada um, sincrónicos ou diacrónicos.

Assumindo então que não estamos a falar de cerzideiras ou de técnicos de limpeza de vidros em altura - aí, sim, uma formação orientada para a profissão é capaz de fazer falta -, eu diria que o problema do ensino universitário em Portugal é não ser suficientemente teórico. Um dia que seja, que volte a ser, não serão necessárias quotas e (re)nascerão naturalmente escolas alternativas, essas tais instituições que treinam as pessoas para carregar em botões quando se acendem luzes e que, sem qualquer desprimor, não se podem chamar universidades.

Dito isto, vou fazer sopa de courgette e bróculos. Tão ou mais importante que isto tudo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulheres,

quantas vezes pensasteis para vós mesmas "Nããã, deve ser só da minha cabeça" e era mesmo só da vossa cabeça?

Eu, uma. Em Amesterdão. Garantiram-me que não havia centauro nenhum a sair da parede do hostel mas até hoje mantenho as minhas dúvidas.

De resto, acertei sempre.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A extinção da saudade

Andava há uns dias para escrever sobre a forma como os lugares virtuais em que o homem se cruza, observa e fala com outros homens criam uma ilusão de cercania e uma sensação de Grande Olho que mata a saudade como o vídeo matou a estrela de rádio.

Entretanto percebi que era mentira. A saudade sobreviveu, nasceu foi outra coisa que é a ânsia de tocar. Devia-se arranjar um nome para isso, dito assim parece reles.

domingo, 27 de março de 2011

Tenho que arrumar a casa.

I'm alright,
Why'd you ask?
I'm uptight, I guess.
Let it pass.
I've never had much in common with you.

You brought me up,
Gentle and mild.
But I'm somebody else's,
Somebody else's child.

The Vaccines

Um dia destes.

Gelado de queijo de cabra com compota de abóbora

sábado, 26 de março de 2011

tangled up in blue

As mulheres têm destas coisas. Põem-se contentinhas com coisas pequeninas. Uma musiqueta antiga, um queque de alheira e grelos, um vestido novo, uma mantinha, um champô de côco, um azeite de trufas. E ainda bem. Gosto de nós assim.

sexta-feira, 25 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Voltar

nunca foi boa ideia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Que abjecção esta regularidade.

Cada vez tenho menos rotinas. Pareço desafiar-me a mim mesma no quanto de caos resiste a sanidade. E não me orgulho disso.

Mas às quintas... Às quintas tenho o hábito de me pôr triste.

Amanhã faço as malas e passa-me. Os metros quadrados dos outros são bons para mim.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Pipoco morto

gera mais hits que os bloggers vivos. Todos juntos.

Ah pois é.

Jantar da escola primária

significa Estamos todos divorciados e sonhamos com meninos e meninas de uniforme.




Eu topo. Hi hi.

terça-feira, 15 de março de 2011

A verdade

é que eu até gosto de gatos, quando eles se sabem comportar.

Gosto de gatos quando se rebolam no chão e escondem os olhos com as patinhas e dão ferradelinhas na mão do dono e fogem e olham de lado como se não estivessem a olhar e voltam e lambem a mão ao dono e toc-toc com a patinha "quero mais". Gatos que olham para um novelo e dizem Bola!

Gosto de gatos que se saibam comportar como verdadeiros cães. Não dos outros, dos maricas.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Procuro bar de praia na Côte d'Azur

que me empregue a partir de Setembro. Faço um bom paté de azeitona caseiro e umas mariquices com salmão e tomilho.

Vou despedir-me.

Não sou pessoa de ler a wikipedia. Se fosse, fundamentava decentemente o que vou dizer a seguir. Há um país qualquer (Áustria, Calíope?) que atribui subsídio de desemprego às pessoas que se despedem porque viu provado de uma maneira qualquer que a produtividade do trabalhador desce de tal forma ao cabo de um período de tempo qualquer - três anos? - que é altamente compensatório contratar um novo, com índices renovados de motivação, e deixar o pobre desmotivado recompor-se e recomeçar em grande noutro sítio. Em média demoram um qualquer período de tempo muito reduzido a fazê-lo e quase não custam qualquer despesa ao Estado.

Se isto for informação errónea e infundada, óptimo, acabei de fundar uma causa laboral.

Quando tiver um puto

vou obrigá-lo a desistir de qualquer coisa. Só para não desenvolver uma obsessão pela ideia no futuro.

domingo, 13 de março de 2011

Creio veementemente

- gosto da prosódia do veementemente - que as coisas ganham corpo e força e se tornam irreversivelmente realidades no momento em que são ditas ou, mais determinantemente ainda, escritas pela primeira vez. Portanto, vou trocar um post com alto potencial hilariante por mais uns dias de dúvida sobre aquilo que eu nem acredito que me possa estar a acontecer.

Mas posso avançar que envolve uma brasileira e uns poemas.

housebroken

Ela disse Não vais, e ele não foi. Para durar tem que ser assim, ela explicou-me. Eu disse-lhe que já tinha lido coisas parecidas numa revista de S&M. Confio sempre que elas não sabem o que é S&M e que têm vergonha de perguntar. Até hoje correu bem. E levámos os pratinhos para dentro e ela envolveu as sobremesas em película aderente antes de as guardar no frigorífico entre as cuvettes de carnes bovinas, suínas e brancas.
Até podia ser sarcasmo, mas admiro-a a sério.

sábado, 12 de março de 2011

Manif

era no dia 24 de Novembro de 2010. É o fostes.

E assim se divide para não reinar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mas sou tão bonitinha.

8h13: Ia jurar que o tinha posto na carteira... Se calhar não foi nesta. *vasculha vasculha vasculha* Óptimo, dia sem telemóvel. Que descanso.

10h03: Tenho que falar com o Zé e não tenho o número, pfff. Oh, claro, e-mail. *mão ao bolso* Aaargh.

11h40: A tipologia de Girolami-Boulinier? Que cromo pôs isto no meu cacifo? Só pode ter sido o M. Vou lig... Grrrrr.

16h00: Aaahhhh, solinho. Carro, carro, carro... Carro? Hum? Carro?! Outra vez não. Ou sim? Parece que sim. Rebocado. Três pares de Levi's, é o que eu te digo, três pares de Levi's.

16h01: Aceita, lida com isso, chama um táxi. *mão ao bolso* Aaargh. Telemóvel em casa. Bom, vamos a casa buscar o telemóvel. Aaaargh, não temos carro para ir a casa buscar o telemóvel! Ok, ok, então vou ligar a pedir boleia à minh... FFFffffffffff.

16h02: Vamos a pé para casa, vá. Está solinho. Podia ser bem pior. E tenho os phones, assim até oiço as musiquinhas novas que descarreguei para o i-pho... Hmmmpff.

16h38: Isto até se faz bem, é perto. Devia fazer isto todos os dias em que não chovesse. É que não custa mesmo nada quando venho assim de mãos a aban... Onde é que deixei o filho da puta do portátil???

quarta-feira, 9 de março de 2011

ECG

Dizem que o meu coração bate 80 vezes mais do que devia.

Eu garanti que nunca o tinha tido tão parado.

terça-feira, 8 de março de 2011

Jurou

que não poria mais os pés nas ruas em que tinham caminhado, que não veria mais os olhos dos que tinha conhecido, que não subiria mais as escadas do parque, nem as desceria, que fecharia os olhos a cada pôr-do-sol naquele morro. Prometeu não tornar a ouvir o tilintar de talheres no café, o do primeiro beijo, nem voltar à porta da loja dos discos. Escreveu para si cem vezes, ao fundo das escadas do quarto alugado, minutos contados para o comboio, que emudecia para aquela cidade e se amortalhava aos olhos das gentes, para sempre.

Agora está tramado, que vem ao Porto de olhos vendados, bananas nos ouvidos e transportado num espécie de voador da Chico. Assim sim, vai ser difícil engatar miúdas.

Mais sparks, por favor.

You can dress nautical
Learn to tie knots
Take lots of Dramamine
Out on your yacht
But when you're all alone
And nothing bites
You'll wish you stayed at home
With someone nice
But when you think you made it disappear
It comes again, "Hello, I'm here", and
I've got angst in my pants

Too Wagnerian, too Shakespearian, too impossible.

Ninguém me convence que hoje não é domingo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Não tenho por hábito falar de trabalho mas há quem reclame seriedade e eu sei ser-li-o.


Finalmente estreitei o escopo da minha tese. Decidi focar-me numa abordagem por Phonics. Acho particularmente interessante explorar o terreno do schwa, pelas dificuldades que levanta à pedagogia clássica de línguas estrangeiras, que continua a insistir na aprendizagem paralela da oralidade e da escrita niveladas pelo QECRL, caindo inevitavelmente numa espiral de cristalização de er...



...

Distraio-me com alguma facilidade.

A minha ideia de Carnaval:

pintar as unhas.

Sim, um homem e uma mulher podem ser amigos.

Desde que por um período limitado de tempo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Se eu fosse blogger,

uma blogger a sério, escrevia sobre a Desapareguts de Gervasio Sánchez, que me desassossegou até aos ossos no domingo. Explicava que trata o tema dos vazios coleccionados e das coisas, res, que os perpetuam e agravam e de seguida mostrava como não são exclusivos da Colombia ou da Bósnia, estão mesmo aqui ao lado, em Barros Lima, os objectos incómodos e queridos a que nos ancoramos penosa e penalizadoramente.

Faria tudo isto se achasse sensato cobrir e esventrar o génio alheio. Não é humildade ou sequer submissão aos grandes, não é isso. É como da literatura. Não é achar-me incapaz, não é pressupor-me inferior em talento. É antes uma fuga da desolação. A evidência de que qualquer um o pudesse fazer seria, ela sim, esventrante e assassina.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Química

Nutro um instantâneo apreço por homens com mãos a cheirar a diluente.

Eu sei, eu sei, pode ser perigoso.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Worksong

Quando estou mesmo a dar as últimas, quando acho que já não consigo parir um pensamento original nem escrever mais uma linha académica, só tenho uma salvação: Tonight We Fly em repeat.
Nem sei bem porquê, mas sei que acontece desde 2005, ano em que trabalhava numa escola durante o dia, dava formação a camionistas à noite e tirava uma pós-graduação nos intervalos.
A minha vida era bem mais calma então.
Vamos lá a ver se hoje funciona e se ainda apanho um avião.

O meu pior pesadelo

é tornar-me numa daquelas pessoas que falam de blogues e bloggers como se fossem coisas a sério.

Acho que sonhei com isso hoje. Aí entre as 13h30 e as 15h00.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Porque ninguém me garante que não esteja aqui amanhã,

tenho que tratar eu própria do assunto.

Ou nem isso. Onde é que se come bem em Barcelona?

Linguística descritiva é isto.

Isto está... digo-lhe, menina. Os juros sobem de vento em pouco, como se costuma a dizer, não há trabalho, noutro dia na farmácia uma senhora foi-se embora que não tinha como pagar os remédios... Isto é viver em condições imploráveis. E a mim só me faltava esta, cortar o dedo! Agora quero trabalhar e estou ilimitada, nem sei para onde me hei-de virar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A countenance more in sorrow than in anger

Às tantas não devia ter ido aos fados.

Às tantas queria ter-me esquecido que já lá vai um mês de Cavaco e que me mete asco.

As tantas vezes que me intrigo sobre ti põem-me triste. Mesmo ao longe na terra e nas horas, puseste-me triste. Não digo que por ti exactamente, mentira que pareça. Muito mais pelo que me mostraste que um homem - um homem bom - é capaz de ser e, pior, incapaz de ser. Isso mói mais que mil partidas, porque é humano e fica para sempre.

E sim, esta é para ti, Mr. B. Às claras.

Maré de optimismo

São 17h51, o meu carro foi rebocado, dou exame na faculdade às 19h30, os enunciados estão dentro da viatura e eu acho que vai correr tudo bem.

Ladies and gents, place your bets.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Há chineses menos certeiros


There are some things we shouldn't have a back-up plan for. One of them is love.




Stanley in American Dad


fodida de ler, esta letrinha, não é?

Hoje tive medo, porra.

Recebi uma chuvada de sms depois das 24h e, como de costume, não respondi. Mas desta vez o tipo ganhou tomates e escreveu "Se não respondes não saio da tua porta até teres que ir para o trabalho amanhã de manhã." E eu, que não estava em casa, fiquei com um certo receio de voltar. Um certo. Mas voltei.

Entrei disparada pela garagem, não fosse o palerma tecê-las, e qual não é o meu espanto quando se cola à minha traseira um carro desconhecido, que estaciona no primeiro lugar à entrada. Subo a rampa para o meu, sempre a olhar pelos espelhos, desligo tudo, abro a porta decidida, bato o tacão com força até à mala (sei lá porquê, achei que me dava um ar de ninja sob disfarce suburbano), saco agilmente do pc, bato a mala com violência, vejo-o a desligar as luzes e a não abrir as portas, fecho as minhas, sempre tudo muito rápido e coordenado, bato o tacão até à porta de metal, empurro-a num estrondo, chamo o elevador, penso Ai mãezinha que é desta, oiço o eco metálico da porta durante os sete penosos segundos de espera, tiro as chaves da carteira, telemóvel na mão direita pronto a ligar para o homem de 1,80m geograficamente mais acessível, o elevador chega, Porra que és lento!, salto lá para dentro, ainda oiço ao longe o eco interminável da porta pesada e...

...nada. Nadinha de nada. A não ser agora uma ligeira enxaqueca causada por todo o chiqueiro sonoro à minha volta. Irra, que exagero o meu. É tão óbvio que não há tomates que caibam em 160 caracteres.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nada pode ser bom.

Tínhamos ido antes ver La Traviatta e a Carmen e eu não tinha gostado. Nesse dia íamos tentar a Madame Butterfly.
O cenário era amarelo e mexia-se, tinha vindo do Scala de Milão. Vivi durante duas horas aquela rara sensação de não saber para onde me leva a música. É uma estranheza preciosa, dificilmente acontece, por força do treino do ouvido e pela escassez de intérpretes brilhantes, como era o caso. A ilusão de recuperar o tempo em que as coisas nos surpreendiam é um truque só ao alcance da arte e do nariz, eu acho. Durante duas horas vivi pequena e deliciada por uma angústia amarelo-turvo.

Ontem liguei a televisão e fiquei muito feliz quando percebi que não sentia nada. Absolutamente nada.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Oh Catarina, e se tu te deixasses de merdas?

It would degrade me to marry Heathcliff now; so he shall never know how I love him; and that, not because he's handsome, Nelly, but because he's more myself than I am.

W.H., Catherine Earnshaw (Ch. IX)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Passo 9

No ano passado, em Riga, ainda não conhecia a blogosfera. Oh, conhecia, claro, mas não fazia ideia para que servia. Não fazia mesmo. Estava num bar montado numa casa abandonada. Tinha várias salas, muitas sem tecto. No quintal projectavam um documentário sobre o cinema da década de 40 e havia quem o visse de facto, apesar do frio. Em Riga há pessoas muito espertas. No andar de cima - subia-se pela escadaria com um tecto de heras e lâmpadas embrulhadas em papel celofane colorido - havia um barman sisudo e bonito a quem pedi rum. Eu não sei flirtar, é melhor avisar já. Nunca soube sorrir pela primeira vez, só sorrir de volta e pouco convincentemente. Mas não sei lá porquê, achei que aquela era uma boa noite para tentar e lá encenei um esgar de flirt. Não havia rum. De três marcas de vodka, tive que escolher uma. Também não havia sumo de limão. Nem de laranja. Troquei com o homem tantas frases e acabei a beber vodka com um sumo espesso de ananás e sem lhe ver os dentes. Quando voltei à sala com bancos de automóvel e spectrums pendurados na parede, encontrei a R. não surpreendentemente rodeada de homens. Riam e bebiam e contavam histórias dos seus países. Um não. Tínhamos duas pessoas de distância e pouco mais, percebeu-se depressa. "I'm a linguist" não costuma receber de volta um "So am I". Falámos de Chomsky e de fonemas, eu sorri ao de leve e ele sorriu mais do que eu. Fomos juntos para o hotel e despedimo-nos à porta. No dia seguinte acordei em Trinidad y Tobago e nunca mais pensei nele até hoje.

Assim, acho que devo a alguém um pedido de desculpas. Um daqueles grandes, enormes, totalmente irrelevantes, de quem não fazia ideia da dor que causava, de quem não sabia mesmo que o tempo era um moinho de pimenta, grrrkk, grrrrk, grrrrk. Via a vida como um play-doh, esticável e mutável ad eternum. Desculpa. Diria ainda que me lembro de ti deitado na cama de olhos abertos e inchados e que te admiro o estoicismo. Diria diverte-te em Buenos Aires e boa sorte com as aulas de pintura. O risco de soar condescendente e quiçá cobiçosa refreia-me o ímpeto, porém. Podes estar descansado. Era só mesmo isto e até o digo baixinho: desculpa.

Ah, e também não "posto" a Talk Show Host.

Podíamos ser tão felizes,

eu, tu e o lítio.

another year

Tão realista que dá sono.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fala-me do teu produto interno,

bruto.

por J.E.S.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Como na barraca dos cachorros,

queria a vida com tudo a que tinha direito.

Saiu-lhe o tiro pela culatra e deu molho.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

as prateleiras do nosso descontentamento

E de vez em quando lá aparece uma pessoa boa, uma pessoa que bem podia ser uma romã no Minipreço, pega-se, olha-se de um lado, olha-se do outro, sente-se-lhe o peso, vê-se-lhe o brilho, sabe-se exactamente o que está dentro, e prateleira com ela, deixa-te ficar aí sossegadinha para um dia em que me apeteça dar-me a essa carga de trabalho por um doce. Somos feios, nós, todos, e as nossas prateleiras apinhadas.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Vodafone FM

anda à procura de locutores.

Esperemos que não encontre, porque para já está muitíssimo bem.


Chega de sarcasmo em torno do Valentim

Viver sozinho é triste. Viver sozinho é descoroçoante. Descoroçoante é uma palavra que existe de facto. Eu pensava que tinha sido o meu pai a inventá-la, mas agora que descobri que está mesmo compendiada, só espero que tenha evoluído etimologicamente de "coração"- espero mas não vou verificar agora, são 7h30 da manhã, por amor de deus - porque era mesmo isso que eu queria dizer, viver sozinho arranca o coração, viver sozinho vira-nos os cantinhos dos olhos para baixo.

E, não me lixem, o 14 de Fevereiro traz essas evidências todas ao de cima...

...É que é véspera da entrega do IVA e não há uma alma carinhosa que me organize os putos dos recibos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um quinto da minha vida

dei-o a um homem.

Em troca, lembro-me de ter recebido um saca-rolhas de Valentim.

Cheers, W.

Temos dois encontros

ir ao encontro de = estar em consonância/acordo com

ir de encontro a = estar em dissonância/desacordo com

Não é preciosismo, é só porque me confunde. Vou eu toda lançada para ler de uma boa disputa e vai-se a ver está tudo em paz e harmonia. A sério, vede lá isso.

E um feliz Valentim.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Wong Kar-Wai é quase tão mau como a minha mãe a dar conselhos.

Se te vires perdido, não saias do sítio.
My Blueberry Nights

Podia escrever um post pela manhã

Diria que chove, diria que sonhei com uma casa aonde já não volto. Podia dizer também que acordei e acordo recorrentemente com músicas bonitas a ecoar na cabeça em repeat para o dia todo. Deixam-me triste. Mencionaria ainda os domingos e a depressão pós-copos, aludiria à vida simples dos outros e aos meus quadros - dois velhos, dois novos - ainda por pendurar.

Seria um post longo porque teria muito para dizer. Enfadaria, seguramente. Outro post, um post palerma, um post sarcástico, um post inocente, não serve para hoje de manhã. O Richard Lanham ensinou-me em 2006 sobre a saturação de gordura no texto. Desde então, nunca mais consegui escrever uma palavra que fosse vazia.

Assim, não haverá post hoje pela manhã.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

That's all folk

Não sei se é da inocência do banjo ou se é do Ata-me a um poste, mas isto agradou-me. O que é preocupante. Diz que daqui à Shania Twain é um saltinho.

30 anos, 30 prendas,

disse ela. E foram mesmo, eu contei-as.


Cheira-me que ela está apaixonada por mim, só pode.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Oh,

obrigada... Não era preciso, a sério. Vocês estragam-me com mimos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ex nihilo nihil fit

Tenho vindo a desenvolver uma apurada técnica de observação do mundo que consiste, passo a explicar, na detecção antecipada de objectos não desejados no campo de visão periférico para logo, atempadamente, os contornar num suave movimento ascendente ou descendente da órbita quando entram na visão central. É certo que ajuda quando têm bandeirinhas vermelhas ou "asap" em caps, mas a pouco e pouco começo a aplicá-la expeditamente a toda uma panóplia de situações, paisagens e indivíduos.

O problema é quando me barram a visão, como esta pilha de trabalhos por corrigir, filha da mãe, que não me deixa enxergar um palmo à frente do nariz. Nessas alturas rendo-me às evidências, baixo os braços e opto por escrever baboseiras com títulos em latim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Posso só dizer uma coisa?,

diz ele de 4 em 4 minutos.

Pelos vistos parece que não, que não pode dizer só uma coisa.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"No fundo do fundo",

repetia tantas vezes o Jeroen, no seu português esforçado, aos fins da tarde na faculdade de letras. Era um homem alto, bonito, nos seus 30s, incansavelmente sorridente. Sentava-se na mesa a olhar pela janela e contava-nos da origem holandesa de algum léxico brasileiro, como "brotinho", que vem de broodje, pãozinho. Nós éramos muito poucos e achávamos-lhe graça ao jeito levezinho de desentrançar as questões complexas dos cruzamentos de influências, culturas e fluxos de gentes nas composições linguísticas do mundo.

Hoje vejo o meu reflexo no interior dos vidros da mesma sala. Estou sentada naquela mesma mesa, perante alunos diferentes. Hoje sei o difícil que é ser-se simples, o complicado que é descomplicar. Sei das toneladas que pesa um esboço de sorriso ao fim da tarde. Lembro-me muitas vezes do Jeroen, do sorriso dele, dos olhos vagos, do peito pesado que tinha dentro uma mulher e uma filha que nunca mais viu. A história clássica da brasileira que pesca o estrangeiro, engravida, casa e foge com o dinheiro. Histórias em que ninguém cai. Ele, um homem nada normal, um homem inteligente, alerta, informado, caiu até ao fundo do fundo. Nos 10 anos que passaram, não voltei a tocar no assunto, mas fico com a sensação de que, se pudesse voltar atrás, caía outra vez.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Eu é mais sardinhas

A minha mãe guarda roupas, malas, perfumes e cremes para ocasiões especiais. Eu esfrego-me com esfoliante de 120 euros o litro, enrolo-me com a gommage microperlé da Chanel e besunto-me com cereja selvagem para ficar em casa num domingo à tarde. E não tem nada que ver lá com os lemas do leite que Se não fizeres o amor contigo quem fará, nada disso. É que faço qualquer merda para empatar ler o Piaget. Tenho exame daqui a umas horas e já li em tempos tudo o que queria do Vygotsky, portanto o meu parco interesse pela Psicologia faleceu em definitivo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A estranheza

de tocar naquilo passado tanto tempo, de o colar à pele branca, de ter os pés nus, indefesos, de arrancar uma toalha do armário, descer furtivamente até ao carro e esperar que ninguém repare na pele de galinha e na leviandade do acto.
É hoje, o primeiro mergulho do ano.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

familiarity breeds contempt

As pessoas no trabalho reconhecem a mala que deixei numa cadeira e querem que vá jantar a casa delas. Está feito, vou despedir-me.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Arrumei as coisas

para não me lembrar.

E agora passo pelos sítios, vazios, e lembro-me que lá faltam as coisas que tinham antes de eu as arrumar.

Mas não faz mal, a sério que não faz mal. For well you know that it's a fool who plays it cool by making his world a little colder.

Schlep

Os machos da blogosfera desiludem-me. Nigellas, Natalies, Scarletts, pardais ao ninho... Então e a Sofia? Dios mío, a Sofia!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Obras Burlescas de Tomé Tavares Carneiro

Tenho uma relação esquizofrénica com bibliotecas. (*lápis azul*) Gosto da luz das janelas, do silêncio, das mesas sem pilhas de folhas, canecas de café e discos externos, das estantes com os livros todos direitinhos e da sensação que são meus, todos meus, das mulheres que prendem o cabelo com um lápis antes de manusear um manual franciscano com 150 anos, dos homens que vêem vídeos no Youtube. Não é sexismo, estão mesmo aqui à minha frente, não tenho culpa. Mas às vezes as pessoas das bibliotecas assustam-me. Ao meu lado direito está uma obra da Cidália Dinis (sim, isso mesmo, da Cidália Dinis) intitulada "Obras Burlescas de Tomé Tavares Carneiro". Primeiro veio um rapaz gordinho - nota-se que não contava que fizesse sol hoje, com certeza não tinha intenção de tirar a camisola e ficar com aquela t-shirt assim curtinha, mas ora bolas you can't predict the weather -, olhou para a Cidália, torceu o nariz e trocou-a pela Sónia Faria e o seu "O Objecto e os Museus de Medicina". A seguir veio um senhor de barba , óculos de massa, camisola de lã e... outra camisola de lã aos ombros..., trauteou qualquer coisa que me pareceu A Nacional mas pode ter sido só sugestão, passou pela Cidália e escolheu o António Coxião sobre "A Ocupação Humana na Pré-História Recente na Região entre Côa e Távora". Por fim chega o pretendente da Cidália, guarda-chuva na mão e mochila às costas - ao virar-se quase me dá com ela nas trombas, de tão excitado que vai -, risca ao lado e língua de fora (ok, este último dado já é capaz de ser produto da minha imaginação), agarra na rapariga e leva-a para o fundo da sala, para o recanto mais escuro de toda a biblioteca.

Parece-me óbvio que sou eu que estou a mais aqui. Vou-me pirar, como de resto acontece sempre ao fim da primeira hora e meia. Depois, claro, não tenho estudos.